Uma operação da Polícia Militar realizada nesta quarta-feira (12) na Vila do João, no Complexo da Maré, afetou o funcionamento de 36 escolas e de quatro unidades de saúde da região.
A ação foi realizada por equipes do 22º Batalhão da Polícia Militar. Segundo a corporação, os policiais entraram na Maré para reposicionar blocos de concreto instalados nas vias de acesso. A PM afirma que as barreiras servem para dificultar a entrada de caminhões de carga e veículos roubados.
Mesmo uma operação apresentada pela própria polícia como destinada ao reposicionamento desses blocos foi suficiente para alterar a rotina de dezenas de escolas e unidades de saúde de um dos maiores conjuntos de bairros populares do Rio de Janeiro.
De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, 36 unidades escolares foram afetadas pela operação. A Secretaria Municipal de Saúde informou que duas unidades de Atenção Primária suspenderam completamente o atendimento para profissionais e usuários.
Outras duas unidades de saúde permaneceram abertas, mas tiveram de cancelar as atividades realizadas fora de suas instalações, entre elas as visitas domiciliares.
É esta a dimensão concreta da política de segurança imposta à população da Maré. A Polícia Militar entra em um bairro densamente povoado e a consequência imediata é a interrupção de aulas, consultas e serviços utilizados diariamente por milhares de trabalhadores.
A versão oficial procura apresentar a operação como uma medida localizada contra furtos e roubos. Para os moradores, entretanto, a ação do aparelho repressivo não é localizada: alcança escolas, postos de saúde, trabalhadores que precisam sair para seus empregos, crianças que deveriam estar em sala de aula e pessoas que dependem do atendimento público.
A Maré é alvo constante de operações policiais. A população é obrigada repetidamente a reorganizar sua vida em função da entrada de tropas armadas nos bairros, enquanto serviços fundamentais deixam de funcionar por razões de segurança.
Não é a população da Maré que escolhe ter escolas e postos de saúde paralisados. É o governo estadual que adota uma política na qual bairros populares são tratados como áreas de operação militar, submetendo dezenas de milhares de trabalhadores às consequências da ação policial.
Nesta quarta-feira, bastou uma operação para reposicionar blocos de concreto na Vila do João para que 36 escolas fossem atingidas, duas unidades de saúde fechassem as portas e outras duas suspendessem parte de suas atividades.




