Uma operação realizada no Monte Cardoso Fontes, dentro do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, desmontou 22 acampamentos considerados irregulares pelas autoridades. As estruturas vinham sendo utilizadas há anos, principalmente por grupos religiosos, e algumas serviam também para permanência prolongada no local.
A retirada foi justificada pela necessidade de proteger a vegetação da região. Segundo as autoridades, havia registro de desmatamento, queimadas, abertura de caminhos e instalação permanente de estruturas dentro da unidade de conservação.
A operação, porém, ocorre depois de uma prolongada omissão dos próprios órgãos responsáveis pelo parque. O Ministério Público Federal já havia apontado problemas na fiscalização da região e cobrado providências do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e da Prefeitura do Rio.
Durante anos, o poder público permitiu que a ocupação se desenvolvesse sem uma política efetiva para organizar o uso da área. Quando decide agir, sua principal medida é retirar aqueles que já estavam instalados no local.
A preservação da Mata Atlântica é necessária, mas não pode ser realizada por meio de uma política que despeja trabalhadores e pessoas pobres enquanto a especulação imobiliária e os grandes interesses econômicos avançam sobre diversas áreas do Rio de Janeiro.



