Lourdes Melo, candidata do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Piauí, denunciou a falta de democracia nas eleições brasileiras e a desigualdade de condições entre os partidos durante entrevista ao programa Conectando. Professora das redes estadual e municipal, ela falou ainda sobre educação, reforma agrária, acesso aos meios de comunicação e as propostas do PCO.
Questionada sobre a educação, Lourdes destacou sua participação nas mobilizações dos professores, como greves, assembleias e ocupações, e criticou os baixos salários pagos à categoria.
“Para a educação nós temos uma luta que é permanente. Nós fazemos greve, ocupação, assembleias, porque o nosso salário é muito baixo. Os professores têm um piso salarial de 5 mil e pouco e não dá para uma professora se manter com as suas necessidades básicas. Por exemplo, a alimentação, pesquisa… porque o professor tem que estudar também.”
Lourdes defendeu para os trabalhadores um salário correspondente ao calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que atualmente beira R$ 8 mil.
Eleição desigual
Perguntada se acreditava na possibilidade de vencer, Lourdes afirmou que a disputa não ocorre em condições de igualdade. Ela citou os 224 municípios do Piauí e comparou a estrutura dos grandes partidos com os recursos disponíveis ao PCO.
“Não, a eleição não é igualitária, não é democrática. Nós moramos aqui no estado do Piauí, que são 224 municípios. Nós não recebemos fundo partidário porque tem uma cláusula de barreira, as pessoas que não têm parlamentares não recebem recurso. Mas, mesmo assim, o nosso objetivo é fazer o contato, é o corpo a corpo com a população para mostrar também quais são as políticas, o que é que o PCO defende.”
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A participação eleitoral do Partido, ressaltou, não significa acreditar que as eleições sejam capazes de resolver os problemas dos trabalhadores.
“Nós não acreditamos que a eleição vai mudar a vida das pessoas. Realmente só uma revolução, uma revolução socialista, para que nós possamos ter uma sociedade justa.”
A entrevistada comentou ainda os 1.924 votos que recebeu na eleição anterior para o governo estadual. Para Lourdes, o resultado precisa ser considerado diante da enorme diferença de recursos entre as candidaturas.
“Comparando com quem tem dinheiro para comprar voto, com o dono dos grandes partidos, é pouco, porque a eleição tem que ser de igual para igual para todos. Se todos tivessem o mesmo financiamento… e nós não temos”, declarou.
Sem espaço na televisão
Lourdes relacionou sua visibilidade nas redes sociais à atuação política que desenvolve há anos entre os professores, no movimento de mulheres, na luta pela reforma agrária e na militância partidária. Nas emissoras de televisão, porém, o PCO quase não encontra espaço.
Ela lembrou que os grandes meios de comunicação somente abrem algum espaço ao Partido durante o período eleitoral e defendeu maior acesso às concessões de rádio e televisão.
A desigualdade entre as candidaturas voltou ao centro da entrevista quando os apresentadores perguntaram que questão Lourdes faria aos demais concorrentes ao governo.
“Tem uns que têm jatinho para viajar, né? Estão satisfeitos com todo o aparato que eles têm? Isso não é uma injustiça, uns viajam de jatinho, uns viajam para Corrente, mil quilômetros. E eu não tenho condição de percorrer nem em volta dos municípios de Teresina, porque o financiamento é desigual.”
Lourdes observou que a própria candidatura majoritária permite ao PCO ter acesso a espaços dos quais normalmente é excluído. “Se não fosse candidata, eu não estaria aqui conversando com vocês”, afirmou, indicando que os partidos da burguesia são noticiados em períodos não eleitorais, mas o PCO não.
A mesma questão apareceu quando foi perguntada sobre a possibilidade de disputar um cargo proporcional. Lourdes explicou que uma candidatura ao governo oferece melhores condições para apresentar publicamente o programa do Partido, enquanto uma candidatura a vereadora teria muito menos espaço nos meios de comunicação.
Rui Costa Pimenta para presidente
Sobre a eleição presidencial, Lourdes afirmou que seu candidato é Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e candidato à Presidência da República.
“Vamos votar no Rui Costa Pimenta, que é do PCO”, declarou.
Os apresentadores lembraram que Lourdes participou da campanha pela liberdade de Lula durante sua prisão. Ela confirmou sua defesa do petista naquele período, mas ressaltou que o PCO possui candidatura própria no primeiro turno.
Lourdes descartou ainda a possibilidade de abandonar sua candidatura ao governo do Piauí durante a campanha.
“Se eu estou concorrendo, já vou pensar que vou desistir e vou renunciar? Não, nós estamos aqui falando com toda a população de Teresina, dos arredores.”
Reforma agrária
Ao falar sobre sua trajetória política, Lourdes recordou sua passagem pelo Partido dos Trabalhadores e o período em que o PT estava diretamente ligado às greves operárias e à mobilização pela reforma agrária, há longínquos 40 anos.
“O Partido dos Trabalhadores, ele criou direito de greve, fez greve no ABC e fez luta pela reforma agrária. Então a gente estava lá junto […] E depois teve o interesse de ser do PCO, e é assim.”
Para ela, a situação dos trabalhadores piauienses continua marcada por problemas como desemprego, falta de moradia e ausência de reforma agrária. Lourdes lembrou ainda que o próprio PT adotava, no passado, uma posição muito mais combativa sobre a questão da terra.
“Antes o PT dizia assim: ‘é reforma agrária, vamos lutar pela reforma agrária na lei ou na marra, vamos quebrar as cancelas’, e hoje a luta pela reforma agrária está amortecida, ela não tem avançado”, afirmou. Ressalvou, porém, que organizações como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) continuam na luta.
No encerramento, os apresentadores pediram uma última mensagem à candidata. Como o pedido explícito de voto ainda não era permitido pela legislação eleitoral naquele momento, Lourdes ironizou a restrição: “Não votem em mim!”, provocando risadas no estúdio.
Em seguida, pediu que a população conhecesse a atuação do PCO “nas greves, nos bairros, nos direitos das mulheres” e nas reivindicações dos trabalhadores.




