A operação farsesca da Polícia Federal contra Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência da República, provocou novas manifestações de solidariedade ao partido nessa quarta-feira (12). O Partido Operário Revolucionário (POR) e a Nova Resistência divulgaram notas condenando a ação ocorrida na manhã da terça-feira (11) e classificando-a como perseguição política.
As manifestações chamam a atenção por partirem de organizações que mantêm importantes divergências com o PCO. Ainda assim, ambas denunciaram a invasão da residência de Pimenta como uma medida antidemocrática e defenderam o direito de organização e expressão partidárias.
A chamada Operação Causa Própria foi um show propagandístico deflagrado apenas três dias depois do lançamento oficial da candidatura presidencial de Rui Costa Pimenta. Agentes da PF chegaram à sua residência, no bairro do Jabaquara, em São Paulo, às 6 horas da manhã, arrombaram o portão e cumpriram mandado de busca e apreensão. Outro endereço, onde havia um escritório vazio, também foi alvo dos agentes. Foram apreendidos o telefone celular e o passaporte de Pimenta.
POR denuncia ataque às liberdades democráticas
Em nota intitulada Ataque da Polícia Federal ao Partido da Causa Operária (PCO), o Partido Operário Revolucionário afirmou que “é necessário que todas as correntes que se reivindicam da liberdade de organização e expressão condenem a invasão da casa do dirigente Rui Costa Pimenta”.
O POR classificou a invasão como “um ato arbitrário e autoritário” ocorrido sob o que chama de “democracia oligárquica e em decomposição”. Para a organização, a operação tem conteúdo político e não pode ser tratada simplesmente como uma investigação criminal.
O partido chamou atenção ainda para o nome escolhido pela PF. Segundo a nota, a expressão “Causa Própria” contém uma provocação direta contra o Partido da Causa Operária.
O POR destacou também que a Polícia Federal não encontrou na residência de Pimenta nem no escritório qualquer elemento que comprovasse as acusações que justificaram a busca. Mesmo assim, os agentes levaram o celular e o passaporte do dirigente.
A nota compara ainda os recursos recebidos pelo PCO com as centenas de milhões destinadas aos principais partidos do regime político. O PCO recebeu R$3,31 milhões do Fundo Eleitoral,enquanto o PL ficou com R$ 881,66 milhões e o PT, com R$615,37milhões.PL, PT, União Brasil, PSD e PP receberam juntos R$ 2,86 bilhões dos R$4,9 bilhões distribuídos.
“O que fez a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal ao atacar PCO, com os métodos policialescos da democracia oligárquica, foi acobertar as verdadeiras quadrilhas partidárias, que se valem dos recursos públicos para manter a máscara da democracia e garantir a continuidade da ditadura de classe da burguesia”, afirmou o POR.
A organização encerrou a nota exigindo “o fim imediato da perseguição política ao PCO”, a condenação da invasão da casa de Rui Costa Pimenta e o fim dos processos que considera parte da perseguição contra o partido.
Nova Resistência aponta perseguição ligada à defesa da Palestina
Em nota oficial assinada pela Associação Nova Roma, a Nova Resistência manifestou “profunda preocupação” com o que definiu como escalada do assédio judicial contra Rui Costa Pimenta.
Para a organização, a Operação Causa Própria é “mais um capítulo da lawfare que assola a política brasileira”. A nota destacou que a ação policial ocorreu apenas três dias depois do lançamento da candidatura presidencial de Pimenta.
“A ação, ocorrida três dias após o lançamento da candidatura de Rui, com agentes arrombando sua casa modesta no Jabaquara às 6 da manhã e apreendendo celular e passaporte, tem todos os contornos de intimidação eleitoral, não de justiça”, afirmou.
A Nova Resistência relacionou a ofensiva ao papel desempenhado pelo PCO na defesa da luta do povo palestino e no combate ao sionismo. A nota lembrou a denúncia feita pelo apresentador do Podcast 3 Irmãos, segundo a qual setores sionistas teriam pressionado para impedir a participação de Rui Costa Pimenta no programa.
Para a organização, as posições do PCO em defesa da resistência palestina ajudam a explicar a perseguição contra o partido. A entidade considera “mais do que razoável suspeitar” que a ação da PF busque prejudicar eleitoralmente Pimenta e criminalizar a organização.
“Não há bem algum apreendido, não há enriquecimento ilícito – há, sim, uma tentativa desesperada de calar uma voz incômoda”, declarou a entidade.
Apoio apesar das divergências
Outras personalidades e páginas políticas também se pronunciaram contra a operação, muitas delas deixando claras suas diferenças com o PCO.
Lucas Leiroz, da NR, afirmou discordar de grande parte das posições do partido, mas classificou o PCO como “o partido mais honesto do Brasil”. Segundo ele, a organização se diferencia por sustentar suas posições mesmo quando elas contrariam a corrente política dominante.
Leiroz lembrou a oposição do PCO à perseguição judicial contra o bolsonarismo, sua posição sobre a guerra na Ucrânia, o envio de correspondentes ao Donbass e o apoio aberto à resistência palestina, ao Hesbolá e ao Irã. “O PCO vai na contramão de tudo isso e coloca seus valores acima do pragmatismo. É por isso que é perseguido”, afirmou.
Raphael Machado, também da NR, declarou “todo apoio ao Partido da Causa Operária”, que classificou como a “organização partidária mais perseguida da história da Sexta República”. Segundo ele, nem o partido nem seus aliados deverão recuar diante do cerco.
A página Pensar a História afirmou discordar “do PCO em quase tudo”, mas considerou a denúncia “muito suspeita”. O perfil questionou o contraste entre a ofensiva contra o partido e a ausência de investigações semelhantes diante de denúncias envolvendo valores muito superiores na política brasileira.
O canal O Papo também declarou ter poucas concordâncias com o PCO, mas relacionou a operação à perseguição sofrida por pessoas e organizações que se posicionam em defesa da causa palestina. “Tenho muita dificuldade em ver como que o homem que viu a própria filha MORRER por não ter dinheiro para comprar o medicamento que poderia salvá-la teria enriquecido às custas do partido”, afirmou a publicação.
“O Rui Costa Pimenta é inocente até que se prove o contrário. Não cabe a nós condená-lo com base em acusações ainda não comprovadas”, concluiu.





