Driss Mrani

Fundador e presidente do Movimento Progressista Marroquino, que visa promover princípios progressistas no Marrocos derrubando a monarquia totalitária que serve ao imperialismo e, então, estabelecer uma república democrática na qual todos os segmentos do povo marroquino participem sem descriminação

Coluna

Prisão de ‘Blakwind’: continuidade da política de silenciamento no Marrocos

Não é possível construir um Marrocos verdadeiramente democrático enquanto continuarem existindo medidas que atinjam vozes críticas

A decisão de prender o rapper marroquino Mehdi El Youbi, conhecido artisticamente como “Blakwind”, representa mais um capítulo no processo de restrição à liberdade de expressão no Marrocos, onde artistas, jornalistas e ativistas críticos ao poder frequentemente acabam enfrentando processos judiciais em vez de diálogo.

Até o momento, as autoridades não apresentaram ao público esclarecimentos completos sobre a natureza das acusações contra o artista, embora ele tenha sido colocado em prisão preventiva enquanto aguarda julgamento. Essa falta de transparência levanta preocupações legítimas sobre o respeito aos princípios da publicidade dos atos judiciais e ao direito da sociedade de conhecer os fundamentos legais dessas medidas.

Ao longo dos anos, o rap marroquino tornou-se a voz dos bairros populares e da juventude marginalizada, denunciando o desemprego, a corrupção, as desigualdades sociais e o autoritarismo. Nesse contexto, a persecução judicial de um dos nomes mais conhecidos desse movimento inevitavelmente desperta questionamentos políticos, especialmente diante das críticas recorrentes feitas por organizações de direitos humanos à situação da liberdade de expressão no país.

Uma sociedade que teme a música e a palavra livre é uma sociedade que necessita de profundas reformas políticas. Um Estado que confia em sua legitimidade não deveria temer as críticas nem tratar artistas como inimigos, mas garantir o direito de expressarem suas opiniões, mesmo quando elas sejam duras ou incômodas para o poder.

Não é possível construir um Marrocos verdadeiramente democrático enquanto continuarem existindo medidas que atinjam vozes críticas ou enquanto artistas e jornalistas sentirem que expressar suas opiniões pode levá-los aos tribunais ou à prisão. A liberdade de expressão não é um privilégio concedido pelo Estado, mas um direito fundamental, indispensável para qualquer projeto democrático.

Ao mesmo tempo, cabe ao Judiciário assegurar um julgamento justo, independente e com pleno respeito à presunção de inocência e ao direito de defesa, para que todos os fatos sejam esclarecidos de forma transparente e dentro do devido processo legal.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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