O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência, Rui Costa Pimenta, afirmou que os três títulos mundiais conquistados pela Argentina foram resultado de fraudes. A declaração foi feita durante o programa Análise da 3ª, transmitido pela Rádio Causa Operária nesta terça-feira (14).
Nesta edição, apresentada por Victor Assis e João Pimenta, grande parte das perguntas tratou da Copa do Mundo de 2026, da arbitragem e da campanha contra a Seleção Brasileira.
Segundo Pimenta, o favorecimento à Argentina não começou na atual competição. Ele lembrou que há numerosas denúncias de corrupção envolvendo a Federação Internacional de Futebol (FIFA), Lionel Messi e a seleção argentina. Na avaliação do dirigente, o esquema esportivo também serve para fortalecer o governo de Javier Milei.
“Há muitas denúncias de corrupção envolvendo a figura do Messi e envolvendo a Argentina. É um esquema que visa ao dinheiro, um esquema de arrecadação e de corrupção. Agora, neste momento, dá a impressão de que eles juntaram uma coisa com outra. A corrupção continua, mas por que não favorecer um governo como o de Milei, que é apoiado por toda a burguesia e por todo o imperialismo?”, questionou.
‘Fraudes inacreditáveis’
Pimenta criticou os comentaristas brasileiros que apresentam a seleção argentina como exemplo para o Brasil sem mencionar as denúncias que cercam seus títulos de 1978, 1986 e 2022.
“É muito desonesta essa declaração porque o pessoal elogia a Argentina sem levar em consideração que todas as Copas do Mundo que a Argentina ganhou foram conseguidas com fraudes inacreditáveis. Tem gente que fala que as denúncias levantadas contra Messi e contra a Argentina são teoria da conspiração. Mas todo mundo sabe que a Copa de 1978 foi completamente armada para a Argentina ganhar pela ditadura militar argentina e pelo imperialismo, para favorecer a ditadura naquele momento”, declarou.
A ditadura argentina foi estabelecida em 1976, dois anos antes da realização da Copa do Mundo no país. Para Pimenta, a conquista foi utilizada como propaganda do regime militar.
“A ditadura estava se consolidando, então a vitória na Copa do Mundo era uma boa propaganda para o regime. A Copa foi armada grotescamente. O Brasil foi desclassificado, quando deveria ter ido para a final, de uma maneira inacreditável. O juiz anulou o gol do Brasil quando a bola estava entrando na rede. É uma coisa que ninguém nunca viu no mundo, fora desse caso”, afirmou.
O dirigente também mencionou a vitória argentina por 6 a 0 contra o Peru. A Argentina precisava vencer por uma grande diferença para eliminar o Brasil e avançar à decisão.
“Todo mundo já sabia que o Peru tinha sido comprado. Não precisa que alguém venha provar para você que a Argentina, precisando de cinco ou seis gols, vai ganhar de 6 a 0 do Peru. É muita coincidência. Todo mundo sabia que os jogadores do Peru tinham sido comprados. Recentemente, o goleiro do Peru confirmou que foram comprados mesmo”, disse.
Maradona e a Copa de 2022
A segunda conquista argentina ocorreu em 1986, no México. Na partida contra a Inglaterra, Diego Maradona marcou com a mão um dos gols mais conhecidos da história das Copas.
“A Copa do Maradona teve o famoso gol de mão, que está aí para todo mundo ver. É só abrir uma rede social e você verá o vídeo do gol de mão do Maradona. E não foi a única coisa que aconteceu”, destacou Pimenta.
O presidente do PCO também recordou as denúncias relativas à Copa de 2022, disputada no Catar, principalmente na partida entre Argentina e Holanda.
“As três Copas da Argentina são denunciadas como roubo. Em relação ao Brasil, não existe essa denúncia. Pelo contrário, todo mundo sabe que o Brasil deveria ter ganhado mais do que cinco Copas do Mundo pela qualidade do seu futebol. Às vezes não ganhou porque foi escandalosamente roubado. Foi o caso da Copa de 1978, na Argentina, que foi ganha pela ditadura militar argentina”, afirmou.
Em outras ocasiões, segundo ele, o Brasil perdeu mesmo tendo a melhor equipe da competição, como ocorreu na Copa de 1982.
“O Brasil tinha como técnico Telê Santana, um dos melhores técnicos que já dirigiram a Seleção Brasileira. Tinha um excelente time, o melhor time da Copa, e não conseguiu ganhar. Mas, pelo que mostrou em qualidade e futebol, o Brasil poderia ter oito ou dez Copas”, declarou.
Brasil venceu por seus méritos
Pimenta rejeitou qualquer comparação entre os títulos argentinos e as cinco Copas conquistadas pela Seleção Brasileira. Segundo ele, nenhuma das vitórias do Brasil dependeu de uma operação da FIFA ou de favorecimento sistemático da arbitragem.
“O futebol brasileiro se mantém pelos seus próprios méritos. A ditadura militar em 1970 não garantiu a Copa para o Brasil. O time brasileiro ganhou. Em 1958, na Suécia, o Brasil ganhou da Suécia na final. Em 1962, no Chile, o time brasileiro era muito superior e foi campeão. Em 1994, nos Estados Unidos, o Brasil ganhou de maneira limpa. E em 2002 também”, afirmou.
Para Pimenta, os ataques à Seleção extrapolam a crítica esportiva e assumem o caráter de uma campanha contra o País.
“É normal debater se a Seleção teve esta ou aquela falha, se deveria corrigir o sistema tático ou trocar o técnico. Essa discussão é válida e honesta. Agora, falar que o Brasil perdeu porque os jogadores são jogadores de TikTok, porque não têm espírito nacional ou porque são evangélicos é propaganda política rasteira”, disse.
Pelé não pode ser comparado
Outro assunto abordado foi a comparação entre Pelé, Maradona, Messi e Cristiano Ronaldo. Pimenta classificou como absurda a tentativa de colocar os jogadores no mesmo nível do brasileiro.
“Não é apenas absurda a ideia de que Pelé seja inferior a um jogador mediano como Messi ou Maradona. É absurda a própria ideia de comparar esses jogadores com Pelé. Infelizmente, muita gente não viu os jogos de Pelé. A juventude pode ser enganada pela propaganda. Agora, quem viu Pelé jogar, que é o meu caso, sabe que era uma coisa impressionante. Ele era um jogador totalmente fora do padrão”, afirmou.
Segundo Pimenta, a campanha para apresentar Maradona ou Messi como superiores tem como objetivo diminuir o futebol brasileiro.
“Convivi com muitos argentinos. Eles não levam a sério que Maradona ou Messi sejam melhores do que Pelé. Eles sabem que isso é pura propaganda. Incentivam a discussão, mas ninguém minimamente sério leva a sério que você possa comparar esses jogadores com Pelé. Não há parâmetro de comparação”, declarou.
Favorecimento na atual Copa
A arbitragem da Copa de 2026 também foi criticada. João Pimenta citou a partida entre Argentina e Suíça, na qual uma decisão do árbitro de vídeo anulou um cartão amarelo para um argentino e resultou na expulsão de um jogador suíço.
Para Rui Costa Pimenta, a ausência de superioridade técnica dos “favoritos” obrigou a arbitragem a interferir de maneira ainda mais aberta.
“Esta Copa está muito escandalosa porque foram criados os times favoritos do esquema, como a França, os times europeus e, principalmente, a Argentina. Eles não têm uma superioridade sobre os outros times. A Argentina sofreu na Copa desde o primeiro jogo. Então tiveram que roubar muito para manter a Argentina ganhando”, afirmou.
O presidente do PCO disse que o problema não consiste em a Argentina ser uma seleção de um país latino-americano oprimido pelo imperialismo, mas no ataque ao próprio esporte.
“O que está em questão é a defesa do esporte. Você não pode aceitar uma fraude desse tamanho. É um caso de corrupção, um ataque ao futebol. Se continuar assim, o futebol deixa de ter sentido. É preciso defender que o jogo seja normal, justo ou o mais justo possível. Não se pode apoiar a fraude”, declarou.
Campanha contra o Brasil
Pimenta criticou a imprensa esportiva brasileira por repetir a propaganda estrangeira contra a Seleção, Pelé e Neymar. Para ele, muitas pessoas passaram a avaliar os jogadores por comentários e estatísticas, e não pelo que ocorre dentro de campo.
“Se você quer saber se Pelé é superior ou não a alguém, tem que ver Pelé jogar. É o jogo que tem importância. O que dizem os comentaristas não tem importância. A estatística também não é decisiva, porque pode ser influenciada por muitas coisas. Futebol se aprecia vendo o jogo”, disse.
O dirigente também rebateu a afirmação de que João Havelange, presidente da FIFA entre 1974 e 1998, teria usado o cargo para favorecer a Seleção Brasileira. Durante os 24 anos de sua gestão, o Brasil ganhou apenas a Copa de 1994.
“O sujeito ficou 24 anos no cargo e o Brasil só ganhou a Copa de 1994. E ninguém vai argumentar que o Brasil foi beneficiado pela arbitragem naquele campeonato. Muito pelo contrário, a Copa da Argentina, em 1978, aconteceu durante a gestão dele. O Brasil não ganhou nada e foi roubado em mais de um campeonato”, declarou.
Segundo Pimenta, o ataque ao futebol nacional expressa uma mentalidade subordinada aos interesses estrangeiros.
“Para defender a Argentina, um brasileiro vai atacar o futebol brasileiro. É uma mentalidade totalmente colonizada. Isso não é novidade no Brasil. Sempre existiu uma parcela da classe média bem-pensante que foi contra o Brasil em geral”, afirmou.
Lula e o robô
O presidente do PCO também criticou uma publicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre um robô capaz de jogar futebol. Após conhecer o equipamento durante uma visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, Lula afirmou ter encontrado um possível centroavante para Carlo Ancelotti.
“O Brasil é uma fábrica de bons jogadores de futebol. Aí o presidente vem falar que precisa pôr um robô na Seleção Brasileira. O que ele está dizendo? Que o Brasil não tem condições de produzir um bom jogador? Só falta ele sair elogiando Messi agora”, criticou.
Pimenta também defendeu Neymar e contestou a afirmação de que o Brasil não conquistou nada durante sua passagem pela Seleção.
“Quem vê futebol sabe que Neymar é um jogador extremamente habilidoso, de uma qualidade técnica superior à de Mbappé, Messi e Cristiano Ronaldo. Neymar é o típico jogador brasileiro”, afirmou.
“Falam que, na era Neymar, o Brasil não ganhou nada. Isso é mentira. O Brasil foi bicampeão olímpico, algo que nunca tinha conseguido antes. O fato de não ter ganhado a Copa do Mundo não significa que não tenha conquistado nada”, acrescentou.
Irã e outros temas
Pimenta também comentou a campanha da seleção iraniana. Segundo ele, mesmo sem possuir a tradição das maiores potências, a equipe demonstrou determinação e voltou ao Irã com o apoio da população.
“O Irã é um país que tem orgulho de si mesmo. Você tem uma seleção que não possui a qualidade do Brasil e os jogadores voltam como heróis porque representaram o país e deram combate. No Brasil, que tem o melhor futebol do mundo, é somente ataque contra a Seleção, calúnia e bestialidade”, disse.
Em outro trecho, o dirigente defendeu o direito do Irã de produzir uma arma nuclear diante das ameaças dos países imperialistas.
“Ninguém pode ser favorável ao fato de os países imperialistas proibirem os demais países de ter uma bomba atômica, quando todos eles possuem esse armamento. Quem tem que decidir se o Irã deve ter uma bomba atômica é o próprio Irã”, afirmou.




