Mais uma seleção europeia apresentada como praticamente imbatível foi eliminada da Copa do Mundo de 2026. Nesta terça-feira (14), a Espanha venceu a França por 2 a 0 no Estádio de Dallas, em Arlington, no Texas, e garantiu sua vaga na decisão do torneio.
Mikel Oyarzabal abriu o placar em cobrança de pênalti, aos 22 minutos do primeiro tempo. Pedro Porro marcou o segundo gol aos 58 minutos, depois de uma troca rápida de passes que expôs a defesa francesa.
A França chegou à semifinal com seis vitórias em seis partidas, 16 gols marcados e apenas dois sofridos. A campanha, a melhor do país em um início de Copa desde 1958, foi utilizada para apresentar a equipe de Mbappé e Dembélé como uma força ofensiva quase impossível de deter e como o melhor futebol do mundo.
A Espanha mostrou o contrário. A defesa espanhola anulou os principais atacantes franceses e permitiu poucas oportunidades reais de gol. A França terminou a partida com apenas 0,26 no índice de gols esperados, número muito baixo para uma seleção que havia chegado às semifinais com o ataque mais celebrado entre as quatro classificadas.
A seleção espanhola sofreu apenas um gol em sete partidas no torneio. O único foi marcado pela Bélgica nas quartas de final.
Espanha interrompe ataque francês
Os primeiros minutos foram de pouca movimentação ofensiva. Aos 6 minutos, a França conseguiu seu primeiro escanteio depois de um contra-ataque, mas não levou perigo ao gol de Unai Simón. Aos 10, Álex Baena cobrou uma falta pelo lado direito e acertou a barreira.
Aos 15 minutos, Dembélé lançou Mbappé em profundidade. O atacante tentou avançar, mas foi cercado pelos defensores espanhóis e perdeu a oportunidade. A jogada antecipou o que ocorreria durante o restante da partida: a França conseguia levar a bola até o campo de ataque, mas não encontrava espaço para finalizar em boas condições.
O placar foi aberto aos 22 minutos. Lamine Yamal recebeu dentro da área e foi derrubado por Lucas Digne. O árbitro marcou pênalti, e Oyarzabal bateu no canto direito, sem dar possibilidade de defesa ao goleiro francês.
A França ainda sofreu um problema importante antes do intervalo. William Saliba sentiu uma lesão e deixou o campo mancando por volta dos 30 minutos. O zagueiro foi substituído por Maxence Lacroix.
Mesmo com maior necessidade de atacar, a equipe francesa não conseguiu aumentar a pressão. Rodri e Fabián Ruiz controlaram o meio-campo e impediram que Dembélé e Mbappé recebessem a bola com liberdade perto da área.
França ataca, mas não ameaça
A França entrou no segundo tempo atrás do placar pela primeira vez nesta Copa. Nas seis partidas anteriores, a equipe havia vencido Senegal, Iraque, Noruega, Suécia, Paraguai e Marrocos sem precisar reverter uma desvantagem.
Obrigada a procurar o empate, a seleção francesa avançou seus jogadores e deixou mais espaços na defesa. A Espanha aproveitou.
Aos 58 minutos, uma troca rápida de passes rompeu a marcação francesa. Pedro Porro apareceu livre e marcou o segundo gol espanhol. A jogada mostrou a diferença entre as duas equipes: a França tinha mais jogadores no campo de ataque, enquanto a Espanha chegava com menos frequência, mas conseguia produzir oportunidades mais perigosas.
A seleção espanhola ainda esteve perto de marcar o terceiro. Dani Olmo deu um passe de calcanhar e iniciou uma nova investida. Fabián Ruiz recebeu em condições de finalizar, mas Upamecano conseguiu bloquear o chute.
Nos números gerais, a partida pareceu equilibrada. A Espanha terminou com 51% da posse de bola, contra 49% da França. Os franceses tiveram 14 finalizações, diante de 10 dos espanhóis, e cobraram sete escanteios, contra apenas um dos adversários.
Os dados, no entanto, também mostram a falta de eficiência francesa. Apenas quatro das 14 finalizações foram na direção do gol, quase todas sem grande perigo. A Espanha acertou o alvo somente duas vezes e marcou nas duas oportunidades.
Unai Simón manteve o gol espanhol invicto. Mbappé e Dembélé, responsáveis pela maior parte das jogadas ofensivas da França durante o torneio, foram impedidos de pressionar seriamente o goleiro.
Outra favorita europeia eliminada
A derrota encerrou a campanha de uma seleção que havia sido tratada como uma das grandes favoritas ao título pela imprensa burguesa. As seis vitórias consecutivas e os 16 gols marcados ajudaram a criar a impressão de que o ataque francês decidiria qualquer partida.
Diante da defesa espanhola, porém, a França mostrou poucos recursos. A posse no campo ofensivo e o grande número de escanteios não se transformaram em oportunidades claras.
Lamine Yamal foi importante ao conquistar o pênalti que abriu o caminho para a vitória. Oyarzabal chegou ao quarto gol na competição e tornou-se o maior artilheiro espanhol nesta Copa.
Mbappé deixou o torneio com oito gols. O francês está empatado com Lionel Messi na disputa pela artilharia, mas não poderá aumentar sua marca. Messi ainda entrará em campo pela Argentina na outra semifinal, contra a Inglaterra, e pode receber mais alguns pênaltis de presente da arbitragem.
Com a classificação, a Espanha retorna à final da Copa do Mundo pela primeira vez desde 2010. Naquele ano, a equipe venceu a Holanda por 1 a 0 e conquistou o único título mundial de sua história.
A decisão será disputada no domingo, dia 19 de julho, em Nova Jérsei. A Espanha enfrentará o vencedor de Argentina e Inglaterra.





