A aproximação das eleições de outubro abriu uma nova crise no PSOL. O motivo é a divisão dos R$131,5 milhões do Fundo Eleitoral que o partido deverá receber para a campanha de 2026.
A deputada federal Erika Hilton e o ministro Guilherme Boulos entraram em choque com a direção nacional do partido, denunciando o que chamam de descumprimento de acordos sobre a distribuição dos recursos. O caso é uma aula prática sobre a esquerda pequeno-burguesa identitária. Por trás de muito discurso moral, está a disputa mesquinha por dinheiro, cargos, mandatos e posições dentro do aparelho eleitoral.
A crise veio a público após Hilton afirmar, nas redes sociais, que estava “chocada e decepcionada” com a proposta apresentada pela direção, sustentando que as candidaturas consideradas puxadoras de votos não receberam o tratamento prometido.
O episódio expõe uma disputa por recursos públicos dentro de um partido que costuma criticar a chamada “velha política”. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a direção estuda destinar “apenas” cerca de R$ 2 milhões às candidaturas à reeleição de deputados federais, incluindo a de Erika Hilton. O mesmo valor poderá ser destinado a nomes sem mandato considerados estratégicos, como Natália Boulos, esposa de Guilherme Boulos, e Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede. A ex-deputada Manuela D’Ávila, recém-filiada ao partido, poderá receber uma quantia ainda maior para disputar o Senado pelo Rio Grande do Sul.
Boulos saiu em defesa de Hilton, afirmando que a deputada tem razão ao cobrar o cumprimento dos acordos e que sua candidatura deve ser valorizada. Já a direção do PSOL respondeu que Erika Hilton representa o maior investimento da legenda entre as candidaturas proporcionais e que a proposta ainda será submetida às instâncias partidárias.
A crise não expressa nenhum debate sério sobre os problemas do povo brasileiro. Não há, no centro da discussão, salário, emprego, repressão policial, carestia, privatizações ou luta contra o imperialismo. O que há é uma disputa entre parlamentares, ministros e dirigentes por recursos eleitorais, de forma semelhante ao que faz a direita.


