Em 2024, o Brasil destinou o equivalente a 8,8% de seu produto interno bruto (PIB) aos bancos para o pagamento de juros da dívida pública.
De 2023 a 2024, o percentual do PIB brasileiro destinado ao pagamento dos juros da dívida cresceu de 5,8% para 8,8%. Como o PIB brasileiro alcançou R$ 11,7 trilhões em 2024, aproximadamente R$ 1,03 trilhão da riqueza produzida pelo povo brasileiro foi transferido aos banqueiros.
Mas os juros representam apenas uma parte desse vampirismo. Em 2024, a dívida pública brasileira equivalia a 88% do PIB, cerca de R$ 10,3 trilhões, a oitava maior entre os países do G20.
Para o povo, nada sobra
Enquanto os especuladores se apropriam de mais de R$ 1 trilhão por ano, em nome de uma dívida cuja origem jamais foi esclarecida e que sequer deveria existir, ao povo brasileiro restam apenas as sobras do orçamento.
No último ano, enquanto os bancos levaram mais de R$ 1 trilhão, foram destinados aos programas sociais apenas R$ 441 bilhões. Entre eles estão o Bolsa Família, para mais de 50 milhões de brasileiros que recebem míseros R$ 600 mensais, e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a 6,7 milhões de pessoas, das quais 4 milhões são pessoas com deficiência e 2,7 milhões são idosos, todos sobrevivendo com apenas um salário mínimo.
A lógica de deixar apenas as sobras para a população também se repete em outras áreas, como nos valores destinados às pastas da Educação e da Saúde. O Programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, operou com um orçamento recorde próximo de R$ 180 bilhões em 2025. Desse montante, no entanto, a verba aprovada diretamente no Orçamento Geral da União foi de apenas R$ 18,1 bilhões. São valores totalmente insuficientes para atender à enorme demanda de pessoas sem moradia própria em todo o território nacional.
Estatização do sistema financeiro
Enquanto a maioria do povo brasileiro luta diariamente para sobreviver e muitos morrem nas filas do SUS, toda a riqueza nacional vai para os cofres dos bancos.
Diante desse quadro, torna-se necessária a redução imediata dos juros. Mas isso não basta: é preciso suspender o pagamento da dívida e realizar uma auditoria conduzida pelas organizações populares para evidenciar o caráter fraudulento da dívida, apontando para a necessidade de seu não pagamento e da nacionalização do sistema bancário. Dessa forma, os recursos hoje apropriados pelos banqueiros poderão ser direcionados ao desenvolvimento nacional, à geração de empregos e à melhoria das condições de vida da população.




