A luta contra a corrupção e o crime organizado sempre foi uma pauta moralista e demagógica levantada pela direita com o claro objetivo de, a partir desse moralismo, manter o controle do poder político e enrijecer diversos aspectos da vida social.
Historicamente, elas sempre serviram como bode expiatório para que a estrutura política, social e econômica de exploração e exclusão, de domínio e repressão da burguesia contra a sociedade de maneira geral, pudesse permanecer intacta e, de certo modo, ficar imperceptível.
Também foram carros-chefe para processos de intervenção do imperialismo, principalmente norte-americano, em países de capitalismo atrasado, sobretudo na América Latina. Tudo isso ocorreu sob a bandeira do combate às drogas, ao desvio de verbas públicas, e agora tem aparecido também com a equiparação das facções criminosas a organizações terroristas.
Essas duas pautas encontram determinado respaldo popular porque, de fato, a população é atingida por esses males. Porém, esses dois males são mazelas sociais derivadas do sistema político-econômico em que nos encontramos; eles são frutos de como o conjunto da sociedade e seu sistema produtivo estão organizados. Isso significa que um verdadeiro combate a esses dois males ocorre quando se procura atingir as raízes que os sustentam.
As pessoas são jogadas para o desenvolvimento de atividades de cunho criminoso, em grande medida, porque não possuem outras alternativas. Isso foi aprofundado com a implementação da política econômica de desindustrialização causada pelo neoliberalismo, que desembocou em um processo de aumento do desemprego, do trabalho precarizado e do endividamento das famílias, ocasionando uma situação insuportável de esmagamento econômico das condições de sobrevivência do conjunto da população.
Ninguém acorda de manhã com uma gigantesca vontade de exercer uma atividade criminosa. O contexto político, social e econômico é que joga essas pessoas para esse tipo de atividade, porque, essencialmente, as pessoas são produto do meio em que estão inseridas.
Em se tratando da questão da corrupção, o ambiente político e econômico de disputa, em seus variados aspectos, que o capitalismo cria, e no qual somente deste modo ele pode existir, vira um terreno fértil para os mais variados tipos de atividades corruptas, que só podem ser sanadas com os trabalhadores passando a controlar o conjunto do processo de produção econômica e da institucionalidade política.
Quanto mais apartadas das decisões políticas e econômicas ficam as amplas massas, quanto menor for o controle político e social delas, quanto menor for o grau de organização popular e unidade política do proletariado, quanto menores forem as liberdades democráticas, mais livres ficam os políticos e burocratas da burguesia para implementarem seus interesses individualistas e executarem atividades corruptas.
Entrar no terreno da intensificação da repressão somente fornece mais ferramentas de perseguição política e de enrijecimento das relações sociais para que a burguesia possa reprimir o conjunto da população; além disso, nos desmoraliza com as massas por nos comprometermos a acabar com duas mazelas sociais a partir de métodos demagógicos e que não possuem eficiência alguma.
Esse tipo de campanha política mostra que a esquerda pequeno-burguesa adota uma prática de política de conveniência e sem princípios políticos, ou seja, não possui um programa político próprio e adequado. Isso se torna mais grave tendo em vista o fato de que a esquerda está, em tese, no comando do governo e, em vez de aproveitar essa situação para convocar as massas a travar uma verdadeira batalha sobre os grandes problemas nacionais que podem resolver questões que derivam daí, prefere atuar somente onde a burguesia permite e com pautas profundamente demagógicas.
A pauta fundamental deste ano de 2026 é a luta contra o imperialismo. Claramente, os EUA estão empenhados em intervir no processo eleitoral brasileiro, utilizando seus agentes locais, que se agrupam na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), contra o presidente Lula.
A principal contradição que nos permite aglutinar um amplo setor popular é a que existe entre nacionalismo e entreguismo. Essa contradição deve ser explorada apresentando um programa político-econômico de caráter nacionalista que ataque os temas fundamentais que possam permitir uma verdadeira melhora nas condições de sobrevivência da classe trabalhadora.
O grande diferencial da esquerda e da Frente Popular tem de residir na apresentação de um programa de reivindicações concretas, desmascarando o programa do inimigo, que visa submeter a agenda político-econômica para que as riquezas nacionais e os resultados do trabalho dos brasileiros sejam utilizados para manter o bem-estar social das nações estrangeiras, principalmente os EUA.





