Causa Operária TV

Na Zona do Agrião: Brasil vence Japão e avança na Copa

Ao vivo da Universidade de Férias do PCO, Henrique Areas e Pedro Burlamaqui analisaram a vitória brasileira por 2 a 1, a pressão contra a Seleção e a arbitragem da Copa

O programa Na Zona do Agrião, da Causa Operária TV, foi transmitido nesta segunda-feira (29), diretamente da 55ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), em Sorocaba (SP). A edição foi apresentada por Henrique Áreas e Pedro Burlamaqui, logo após a vitória do Brasil por 2 a 1 sobre o Japão, pela segunda fase da Copa do Mundo.

Logo no início da transmissão, os apresentadores destacaram que o programa estava sendo realizado no mesmo espaço onde, pouco depois, teria início a primeira aula do curso A história do Irã e da República Islâmica, ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência.

A maior parte do programa foi dedicada à análise da vitória brasileira sobre o Japão. O Brasil saiu atrás no placar, após erro na saída de bola, mas empatou com Casemiro, no segundo tempo, e virou apenas nos acréscimos, com gol de Martinelli após passe de Bruno Guimarães.

Para Henrique Áreas, a Seleção voltou a apresentar evolução, mesmo em uma partida difícil. “O Brasil evoluiu de um jogo para o outro. Acho que a gente consegue falar a mesma coisa nesse caso, embora tenha sido mais apertado. O jogo foi difícil, foi tenso, mas do ponto de vista do comportamento da Seleção em campo, eu acho que o Brasil evoluiu”, disse.

Ele apontou que o principal problema do Brasil no primeiro tempo foi o domínio sem conclusão. “O maior defeito que o Brasil teve, principalmente no primeiro tempo, foi que dominou o jogo, mas não fazia o gol”, afirmou. Para Áreas, a Seleção ficou presa a uma forma de jogar que se aproxima do futebol europeu, com muita troca de passes e pouca decisão individual.

“O Brasil não acabou fazendo gol, apesar de dominar o jogo. E aí, no erro da defesa brasileira, o Japão fez o gol. Foi um negócio muito perigoso, porque a gente passou um perigo grande de ir para casa mais cedo”, disse.

No segundo tempo, segundo o apresentador, a postura brasileira mudou. Ele citou o lance em que a defesa japonesa tirou a bola em cima da linha e a jogada de Vinícius Júnior, que acertou a trave após driblar o marcador. “O time teve uma postura mais ofensiva mesmo, não simplesmente de dominar, de ter o controle do jogo, mas de ir para cima do Japão”, avaliou.

Pedro Burlamaqui afirmou que a retranca japonesa exigia justamente jogadas individuais e maior agressividade ofensiva do Brasil. “Para conseguir furar o verdadeiro ônibus que eles puseram lá, precisa de jogadas individuais, precisa fazer de fato o que o Brasil sabe fazer de melhor”, disse.

Neymar e Ancelotti

Os apresentadores também comentaram a decisão de Carlo Ancelotti de não pôr Neymar em campo. Para Henrique Áreas, embora o jogador pudesse fazer diferença, a decisão do treinador não foi absurda.

“Neymar faria diferença, mas eu particularmente não acho que foi uma erro do Ancelotti não ter posto o Neymar”, afirmou. Segundo ele, se o treinador acionasse Neymar nos minutos finais e o Brasil fosse eliminado, a pressão cairia sobre o jogador, ainda em processo de recuperação física.

“Se o Ancelotti põe o Neymar faltando 10 minutos de jogo e o Brasil é eliminado, a culpa toda ia cair sobre o Neymar, mesmo o Neymar tendo jogado muito pouco e não estando totalmente em forma”, disse Áreas. “É uma decisão consciente dele.”

Pedro citou a explicação dada por Ancelotti depois da partida. Segundo o apresentador, o treinador afirmou que pensava em usar Neymar caso o Brasil não empatasse até os 60 ou 65 minutos, mas, após o empate, preferiu manter o esquema porque entendia que a Seleção controlava a partida.

“Convenhamos, a gente tem que ser realista que o Neymar não está ainda 100% recuperado. Ele vai ter que ir aos poucos mesmo. Para que queimar o cara?”, afirmou Henrique.

Pedro Burlamaqui apresentou estatísticas da partida para sustentar que, apesar do placar apertado, o Brasil foi superior ao Japão. Segundo ele, a Seleção teve 62% de posse de bola contra 38% dos japoneses, 679 passes contra 300, 92% de precisão nos passes contra 86%, sete finalizações ao gol contra duas, além de seis escanteios contra dois.

“O Brasil dominou a partida. Isso ficou bem claro”, disse Pedro.

Ele também destacou a diferença nas faltas: o Brasil cometeu quatro, enquanto o Japão cometeu 13.

Para Henrique Áreas, esses números contrariariam a campanha da imprensa contra a Seleção.

“O pessoal que está mal-intencionado contra o Brasil, obviamente na imprensa, vai ficar falando: ‘o Brasil não é nada demais’, ‘sofreu para ganhar do Japão’. Tudo bem, França e Alemanha teoricamente são mais fortes que o Japão. Mas isso não quer dizer que o Brasil foi mal. E não foi mesmo, porque os números mostram que o Brasil foi muito superior”, declarou.

Áreas afirmou que a Copa do Mundo cobra concentração máxima. “Você tendo a melhor seleção do mundo, se errar, pode ser desclassificado. A concentração pesa muito na Copa”, disse.

Seleção se forma durante a Copa

Outro ponto levantado no programa foi a falta de preparação adequada da Seleção antes do Mundial. Henrique Áreas lembrou que o Brasil chegou à competição após trocas de técnicos e sem Neymar por longo período.

“O time brasileiro veio todo desorganizado para a Copa. A Argentina é basicamente o mesmo time da Copa passada. O time brasileiro veio depois de três, quatro mudanças de técnico. O Neymar está fora da Seleção desde 2023. São vários problemas da Seleção enquanto time”, afirmou.

Para ele, a equipe está se formando durante a própria competição. “Em grande medida, esse time está se constituindo enquanto time, do ponto de vista coletivo, durante a própria competição. A gente tem que valorizar o fato de que eles estão evoluindo”, disse.

Pedro também destacou a jogada do gol de Martinelli, lembrando que Endrick perdeu a bola, mas Rayan recuperou a posse e participou da construção do lance. Para o apresentador, a jogada mostrou disposição dos jogadores brasileiros. “A gente viu que não tem nada disso de que o jogador brasileiro não joga com raça. O pessoal foi para cima, jogou como deveria”, afirmou.

Arbitragem sob crítica

A arbitragem foi outro dos temas centrais da transmissão. Henrique Áreas criticou o árbitro por dar mais tempo de jogo depois do gol brasileiro, marcado quando faltavam cerca de 30 segundos para o fim dos seis minutos de acréscimo.

“O juiz tinha dado seis minutos de acréscimo. O Brasil fez o gol faltando cerca de 30 segundos para acabar. E aí ele deu mais uns cinco minutos. Para quê? O jogo acaba quando o Japão fizer mais um gol?”, questionou.

Segundo ele, a arbitragem da Copa tem mostrado uma tendência desfavorável ao Brasil. Áreas citou lances na área envolvendo Endrick e Martinelli que, em sua avaliação, ao menos deveriam ter sido analisados com mais cuidado pelo VAR.

“Não estou falando que foi pênalti. O que eu estou falando é o seguinte: se tivesse acontecido esse lance contra o Messi, teria sido pênalti ou, no mínimo, o VAR teria parado”, afirmou.

Henrique também fez críticas ao uso do impedimento semiautomático, citando o gol anulado do Irã contra o Egito e outro lance envolvendo a Colômbia contra Portugal. Para ele, a tecnologia tem sido usada para interferir em resultados por detalhes mínimos.

“Quando você quer, você acha alguma coisa ali no detalhezinho”, disse. “É o vídeo para arranjar resultado.”

Pedro Burlamaqui afirmou que o Irã foi prejudicado pela organização, pela arbitragem e pelo governo norte-americano ao longo da Copa. “O Irã foi absolutamente massacrado pela arbitragem, pela organização, pelo próprio governo norte-americano, do começo ao fim. Mesmo assim mostrou muita raça”, disse.

Henrique Áreas afirmou que a vitória brasileira, caso aconteça, terá significado também para outros povos prejudicados na competição. “A vitória do Brasil vai ser a vitória do Irã também e de todos os povos”, declarou.

Pressão contra o Brasil

Os apresentadores também trataram da pressão exercida contra a Seleção Brasileira. Henrique criticou jornalistas que negam o peso psicológico da Copa do Mundo sobre os jogadores.

“A pressão em Copa do Mundo é muito maior para qualquer time. Agora, para o Brasil, é umas 20 vezes maior para o jogador brasileiro”, afirmou. Para ele, a cobrança é agravada pela imprensa, que transforma uma eliminação em crise nacional contra os jogadores.

Pedro lembrou que várias seleções elogiadas pela imprensa tiveram resultados ruins ou difíceis na competição. Citou o empate da Espanha contra Cabo Verde e a derrota da Alemanha para o Equador. Segundo ele, se resultados semelhantes ocorressem com o Brasil, a Seleção seria atacada com muito mais força.

Henrique Áreas comparou a campanha atual com as Copas de 1994 e 2002. Segundo ele, a ideia de que uma campanha vitoriosa precisa ser tranquila não corresponde à história da competição. “Toda Copa do Mundo é sofrimento”, afirmou. “Hoje você olha os lances das Copas que o Brasil ganhou, tudo lindo, maravilhoso. Mas o jogo durou 90 minutos, não foram só aqueles lances bonitos.”

Para o apresentador, o resultado contra o Japão pode ser positivo para manter o time concentrado. Ele citou comentário de Juca, que não participou da edição, segundo o qual é melhor avançar superando dificuldades do que passar por uma partida fácil e relaxar, como ocorreu em 2022, quando o Brasil goleou a Coreia do Sul e depois foi eliminado pela Croácia.

“Pelo menos o time mostrou que consegue superar a dificuldade e atuar sob muita pressão. O importante é que terminou bem e que o pessoal não desistiu”, disse Henrique.

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