Milhões de fiéis participaram de procissões e cerimônias de luto religioso, em várias cidades do Irã, na quinta-feira (25), durante o dia de Ashura. Os atos recordaram o martírio de Imam Hussein, neto do profeta Maomé, em Karbala, cidade iraquiana, e também prestaram homenagens a Ali Khamenei, morto na guerra conduzida pelos Estados Unidos e por “Israel”. As ruas foram tomadas por roupas pretas, cânticos, distribuição de alimentos e manifestações religiosas contra a opressão.
Ashura corresponde ao décimo dia do mês lunar de Muharram, o primeiro do ano. Em 2026, a data caiu em uma quinta-feira no Irã. A cerimônia marca o martírio de Imam Hussein, terceiro imã xiita e neto do profeta Maomé, morto em 680, no deserto de Karbala, no sul do atual Iraque. Para os xiitas, a batalha tem sentido religioso do enfrentamento entre justiça e tirania, bem como entre verdade e opressão.
No Irã, as procissões ocuparam cidades e vilarejos. Grupos de luto bateram no peito em ritmo coletivo, ouviram elegias religiosas e choraram a tragédia de Karbala. A distribuição de nazri, alimento oferecido por devoção, também marcou os atos. A prática expressa solidariedade comunitária e reforça a dimensão popular das cerimônias, que atravessam famílias, bairros, mesquitas e santuários.
O Ashura deste ano teve um sentido político adicional. Foi o primeiro Muharram desde o martírio de Ali Khamenei, recordado pelos iranianos em luto como líder da Revolução Islâmica e vítima de agressão dos Estados Unidos e de “Israel”. A memória do líder foi incorporada ao luto religioso, aproximando a lembrança de Karbala da guerra recente contra o Irã. Imagens e cerimônias destacaram o ambiente de comoção no caminho que levava ao local associado à sua morte.
A Press TV, imprensa estatal iraniana, registrou grandes concentrações em Isfahan, Qom, Mashhad, Yasuj, Taft e outras localidades. Em Qom, grupos de luto se reuniram no santuário de Fátima Masumeh. Em Mashhad, cerimônias ocorreram no santuário de Imam Reza. Em Taft, fiéis carregaram a estrutura tradicional conhecida como nakhl, símbolo da procissão funerária de Imam Hussein.
O sentido político da data foi reforçado por autoridades iranianas. O presidente Masoud Pezeshkian participou de rituais de luto em Urmia, segundo registros da Press TV. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, também associou Ashura à memória de Khamenei, afirmando que os iranianos não esquecerão nem perdoarão seu martírio. A mensagem vinculou a reverência xiita a Imam Hussein à defesa da soberania iraniana.
A festa religiosa, portanto, não se limitou ao calendário litúrgico. O luto por Imam Hussein foi apresentado como fonte de resistência contemporânea. A guerra de mais de 40 dias contra o Irã, os ataques contra autoridades, comandantes e civis e o assassinato de Khamenei foram inseridos na memória do povo: a mesma disposição de enfrentar a opressão que marca Karbala seria exigida diante da agressão imperialista.
As cerimônias de Ashura também revelam a força da mobilização social no Irã. Mesmo em meio ao luto e às perdas recentes, milhões saíram às ruas para afirmar a coesão nacional e a disposição para resistência. A homenagem a Ali Khamenei, incorporada à memória de Imam Hussein, transformou o ritual em demonstração de unidade política contra os Estados Unidos e “Israel”.





