Campinas

Servidores em greve fazem nova reunião com reitoria da Unicamp

Sindicato marcou ato, vigília e comando de greve após apresentar pauta emergencial com carreira, transporte, benefícios e saúde

Os trabalhadores da Universidade Estadual de Campinas realizaram ato e vigília diante da reitoria, em Campinas, na quarta-feira (24), para acompanhar nova reunião de negociação da greve. O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) convocou a atividade para as 8h30, antes da reunião marcada para as 10h, e também programou reunião do comando de greve às 14h na Associação dos Docentes da Unicamp. A orientação do sindicato foi manter a paralisação e participar das atividades do dia.

A nova rodada ocorreu após a comissão de negociação, formada por representantes da direção do STU e trabalhadores da base, apresentar à reitoria a Pauta Específica emergencial aprovada em assembleia no dia 16 de junho. A apresentação foi feita na segunda-feira (22) e incluiu temas considerados prioritários pela categoria.

Entre os pontos discutidos estão as condições do transporte fretado, a valorização da carreira, a redução da jornada de trabalho, a situação dos trabalhadores terceirizados, a presidência da Câmara Interna de Desenvolvimento de Funcionários, o pagamento das progressões, as gratificações dos servidores em estágio probatório, os direitos das pessoas com deficiência e a autarquização da área da saúde. O sindicato também voltou a cobrar reajustes de benefícios, como vale-refeição e auxílio saúde, em conjunto com a Associação dos Docentes da Unicamp.

A reitoria solicitou detalhamento dos pontos apresentados para subsidiar reunião interna antes da rodada de quarta-feira. Como encaminhamento, a administração informou que apresentaria uma devolutiva na negociação seguinte, indicando quais reivindicações poderiam ser encaminhadas para grupos de trabalho ou comissões de acompanhamento. O transporte fretado aparece como uma pauta que pode ter discussão conjunta com o movimento estudantil, pois há reivindicações convergentes entre servidores e estudantes.

Outro ponto relevante foi a reivindicação de uma mesa permanente de negociação entre trabalhadores e administração. A reitoria reconheceu a necessidade de construir, após o encerramento da greve, um calendário permanente de reuniões. Para o STU, essa é uma vitória importante, pois busca impedir que problemas se acumulem ao longo dos anos sem solução.

Durante a reunião, os representantes dos trabalhadores voltaram a cobrar a presença do reitor Cesinha nas mesas de negociação. A categoria defende que, diante da importância das reivindicações, o reitor deve participar diretamente das discussões e assumir compromissos políticos para encaminhar as demandas. A cobrança expressa descontentamento com a condução das negociações e com a postura da reitoria em reuniões anteriores.

A assembleia dos trabalhadores realizada em 19 de junho aprovou moção de repúdio à postura reiterada da reitoria, por desqualificar e interromper representantes sindicais nas reuniões de negociação. Esse elemento dá o tom político do impasse: a greve não envolve apenas índice salarial ou benefícios, mas também o reconhecimento da representação dos trabalhadores e a forma de condução das tratativas.

O STU também cobrou o fim do banco de horas negativo criado após a retirada dos registros F3 relativos à greve. O sindicato reafirmou que o acordo de encerramento deve prever reposição do trabalho acumulado, e não reposição de horas. A reitoria concordou que, depois da greve, deve ser elaborado um plano de reposição das atividades junto às unidades.

Sobre a autarquização da área da saúde, a reitoria afirmou que o tema já não estaria mais sob sua governabilidade, por depender de decisões do governo estadual e da Assembleia Legislativa. O STU, porém, informou que seguirá denunciando os riscos da proposta e defendendo o caráter público da Unicamp e do Sistema Único de Saúde (SUS).

A avaliação da comissão foi de que a reunião de segunda-feira representou avanço, pois a pauta emergencial foi apresentada integralmente e a administração assumiu compromisso de responder formalmente. A manutenção da greve, entretanto, mostra que os trabalhadores aguardam respostas concretas, não apenas encaminhamentos burocráticos.

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