O secretário-geral do Hesbolá, xeique Naim Qassem, afirmou nesta terça-feira (23) que a Resistência libanesa entrou em uma nova etapa após o fracasso do plano israelense de eliminar o movimento. Em pronunciamento televisionado, Qassem declarou que “Israel” deve se retirar completamente do território libanês, sem manter qualquer posição no sul do país.
“Estamos agora em uma nova fase da história do Líbano, de sua Resistência, de seu Exército, de seu povo e de seu futuro, uma fase chamada ‘quebra do projeto israelense’”, disse o dirigente do Hesbolá.
Segundo Qassem, nos últimos dois ou três anos, “Israel” tentou eliminar o Hesbolá “militar, política, cultural, social e humanamente”. O dirigente afirmou que esse plano fracassou, embora novas tentativas possam ocorrer.
“Isso não significa que eles não tentarão de novo ou que não haverá outras fases, mas houve um grande projeto chamado eliminação militar, política, cultural, social e humana do Hesbolá, e apagamento de sua existência e da existência de todos aqueles que estão com ele no caminho da Grande ‘Israel’. Esse projeto foi quebrado”, declarou.
Retirada total
O secretário-geral do Hesbolá vinculou a nova situação ao cessar-fogo no Líbano e ao Memorando de Entendimento entre Irã e EUA, cuja primeira cláusula prevê o fim da agressão contra o país. Para Qassem, a interrupção dos ataques deve ser acompanhada por um cronograma de retirada completa das tropas israelenses.
“Temos agora um cessar-fogo. A retirada deve ocorrer segundo um cronograma. ‘Israel’ não tem escolha senão se retirar completamente de todo o território libanês, sem manter uma polegada”, disse.
Qassem afirmou ainda que a retirada israelense deve abrir caminho para a presença do Exército libanês ao sul do rio Litani.
“‘Israel’ se retira e o Exército libanês se posiciona exclusivamente ao sul do Litani”, declarou. “Não aceitaremos que a ocupação mantenha uma única polegada sob qualquer título”.
O dirigente também exigiu o fim completo das agressões por terra, mar e ar, a volta dos deslocados a seus povoados, a libertação dos presos e o início da reconstrução das regiões atingidas.
Campo de batalha
Qassem atribuiu o resultado atual à atuação da Resistência no campo de batalha. Segundo ele, a presença militar do Hesbolá impediu que “Israel” avançasse em seu plano de eliminar o movimento e abrir caminho para o projeto da chamada Grande “Israel”.
“Se a Resistência não estivesse no campo de batalha, não teríamos chegado a esse resultado”, afirmou.
O líder do Hesbolá mencionou os mortos, feridos, presos e familiares dos combatentes como parte decisiva da resistência à ofensiva israelense.
“Se não tivéssemos Hassan Nasseralá e os dirigentes mártires, os feridos, os presos e as grandes famílias que se reuniram em torno da Resistência, não teríamos quebrado o projeto”, disse.
Qassem também respondeu aos setores que afirmavam que o Hesbolá não era mais forte que “Israel”.
“Quem disse que somos mais fortes que a entidade israelense? Estamos dizendo que estamos no campo de batalha, e a entidade israelense, no campo de batalha, não aguenta, e não consegue alcançar seus objetivos, mesmo que o tempo se prolongue”, declarou.
De acordo com o dirigente, se a frente militar tivesse sido derrotada, “Israel” teria dado um passo importante para eliminar o Hesbolá e realizar o projeto da Grande “Israel”. Ele também rejeitou qualquer proposta de desarmamento da Resistência ou de imposição de novas condições políticas ao Líbano.
“Nosso direito não está em negociação”, afirmou Qassem, ao defender que a Resistência continua sendo a principal garantia do Líbano contra a ocupação.
Papel do Irã
No pronunciamento, o secretário-geral do Hesbolá destacou o papel do Irã no enfrentamento a “Israel”. Segundo ele, a Resistência entrou na luta “com base no Irã”, o que reforçou suas capacidades.
Qassem afirmou que o Memorando de Entendimento entre Irã e EUA incluiu de maneira explícita, em sua primeira cláusula, a interrupção da agressão ao Líbano. Ao mesmo tempo, disse que o Irã não substitui os libaneses nas decisões internas do país.
“O Irã não negocia em nome do Líbano, mas chama ao cessar-fogo e depois deixa os libaneses administrarem seus próprios assuntos”, disse.
O dirigente também criticou a atuação das autoridades libanesas nas negociações desde novembro de 2024, afirmando que “Israel” não fez concessões. Nesta terça-feira, foi aberta nos EUA a quinta rodada de tratativas entre representantes do Líbano e de “Israel”. O presidente libanês, Joseph Aoun, declarou que o país “não aceitará nada menos que o fim completo da ocupação israelense do sul do Líbano”.
O primeiro-ministro de “Israel”, Benjamin Netaniahu, porém, insiste que as forças israelenses devem permanecer indefinidamente no sul libanês.
Paquistão e Catar também anunciaram a criação de uma célula de coordenação envolvendo EUA, Irã e Líbano para acompanhar a interrupção dos ataques ao território libanês.
Nova violação israelense
Apesar do cessar-fogo anunciado no domingo (21), as forças israelenses voltaram a atacar o sul do Líbano nesta terça-feira. De acordo com a Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), dois jovens foram assassinados e um terceiro ficou ferido quando soldados israelenses abriram fogo de metralhadora contra um grupo que trabalhava na abertura de uma estrada no bairro Deir, em al-Nabatieh al-Fawqa.
Segundo o Hesbolá, o ataque ocorreu por volta das 11h30, quando civis removiam escombros e recuperavam corpos de mártires. Um dos mortos era funcionário municipal.
“A Resistência Islâmica alerta que o que o inimigo fez constitui uma violação flagrante do cessar-fogo ao qual a Resistência se comprometeu até agora”, afirmou o Hesbolá em comunicado.
Foi a primeira violação israelense do cessar-fogo com pessoas assassinadas desde o anúncio do acordo. No mesmo dia, as forças de ocupação israelenses realizaram um ataque com aeronave não tripulada contra Kfar Tibnit, no distrito de Nabatieh, e lançaram bombas de som sobre a região. No distrito de Bint Jbeil, aeronaves israelenses lançaram duas bombas de som sobre Baraachit e Ayta al-Jabal. Em Hadatha, soldados israelenses atearam fogo na periferia da localidade antes de recuar em direção à praça da cidade.




