Europa

Putin: imperialismo já não esconde planos de guerra contra Rússia

Presidente russo afirmou que OTAN e União Europeia usam a “ameaça russa” para justificar o aumento dos gastos militares

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira (23) que os países imperialistas já não escondem seus preparativos para uma guerra contra a Rússia. A declaração foi feita durante uma cerimônia no Crêmlin para formandos das academias militares, de segurança e de aplicação da lei do país.

Segundo Putin, a política da OTAN e da União Europeia passou do envio de armas e dinheiro ao governo de Volodimir Zelensqui para uma preparação aberta para o confronto direto.

“Agora, eles dizem abertamente que estão se preparando para a guerra contra nós, aumentando os orçamentos militares ofensivos”, declarou o presidente russo.

Putin afirmou que os governos imperialistas utilizam contra a Rússia um expediente já usado em outros momentos históricos: criam ameaças contra o país, obrigam a Rússia a agir em defesa própria e, em seguida, apresentam essa reação como prova de agressividade.

“Primeiro, eles criam ameaças para o nosso país, forçam-nos a tomar medidas necessárias para a autodefesa e, imediatamente depois, denunciam-nos por todos os pecados mortais para justificar a continuação de sua política agressiva”, disse.

O presidente russo comparou a situação atual às acusações feitas contra a União Soviética após a invasão surpresa da Alemanha nazista, em 1941. Para Putin, a política atual da OTAN repete o mesmo método de apresentar a Rússia como agressora para encobrir a ofensiva militar dos países imperialistas.

Gastos militares

As declarações de Putin foram feitas depois de os países europeus da OTAN e o Canadá elevarem seus gastos militares em 20% em termos reais em 2025. O montante chegou a US$574 bilhões, sob a justificativa da suposta “ameaça russa”.

O governo russo afirma que não pretende atacar países da OTAN e classificou como absurda a especulação de que prepara uma ofensiva contra o bloco militar. Para a Rússia, a insistência nessa acusação serve para sustentar a militarização da Europa e o envio de recursos para a guerra na Ucrânia.

Putin também comentou a campanha de ataques de drones ucranianos contra cidades russas. Segundo ele, os ataques contra a infraestrutura civil não têm objetivo militar decisivo, mas procuram abalar a população.

“Quando todo o Ocidente trabalha para eles, com esse enorme fluxo de drones, o objetivo é criar dúvida em relação às ações das Forças Armadas russas”, afirmou.

O presidente russo acrescentou que os países europeus ainda evitam lançar ataques contra a Rússia a partir de seus próprios territórios porque sabem que haverá resposta.

Na semana passada, a Ucrânia realizou um ataque de drones contra Moscou, o maior em dois anos. O prefeito Serguei Sobianin informou que 194 drones foram destruídos. A ação atingiu uma refinaria de petróleo, um centro comercial e prédios residenciais, deixando mais de uma dezena de feridos.

Rússia defenderá Bielorrússia

Também nesta semana, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou que o país está pronto para acionar as garantias de segurança dadas à Bielorrússia caso a Ucrânia ataque alvos no território bielorrusso.

Lavrov respondeu a um ultimato de Zelensqui, que exigiu que o governo da Bielorrússia desmonte ou desative estações de retransmissão que o governo ucraniano afirma estarem vinculadas à Rússia na fronteira entre os dois países. Zelensqui deu prazo de uma semana e ameaçou destruir os equipamentos.

O chanceler russo afirmou que a ameaça mira um Estado soberano e procura ampliar a guerra.

“Isso obviamente tem como objetivo arrastar diretamente a Bielorrússia para o conflito e ampliar a geografia das hostilidades”, disse Lavrov.

Desde março de 2025, Rússia e Bielorrússia mantêm em vigor um tratado de garantias de segurança no marco do Estado da União. O acordo estabelece que um ataque contra qualquer um dos dois países será tratado como ataque contra o Estado da União e permite o uso de todos os meios militares e técnicos disponíveis, incluindo armas nucleares, para repelir ameaças à soberania e à integridade territorial.

“Se necessário, estamos prontos para tomar toda a série de medidas previstas pelo tratado para garantir a segurança de nosso aliado e, naturalmente, a segurança do Estado da União”, afirmou Lavrov.

O governo da Bielorrússia declarou que não desmontará os equipamentos nem interromperá o fornecimento de combustível à Rússia. Também advertiu que um ataque ucraniano terá resposta.

Exercícios da OTAN

Lavrov criticou ainda a União Europeia por apoiar as ameaças de Zelensqui. O ministro citou declarações de uma porta-voz da Comissão Europeia, que afirmou que a Bielorrússia ajuda a Rússia e que a Ucrânia tem direito à autodefesa.

Para o chanceler, a União Europeia não pode se apresentar como mediadora neutra na guerra ao mesmo tempo em que arma a Ucrânia, amplia sanções contra a Rússia e apoia ameaças contra a Bielorrússia.

Rússia e Bielorrússia também denunciam o aumento das atividades da OTAN perto de suas fronteiras. Entre elas estão os exercícios Gallant Boar 2026, realizados por Lituânia, Polônia e França nas proximidades do corredor de Suvalki, faixa estreita entre a Bielorrússia e a região russa de Kaliningrado.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Bielorrússia, Igor Sekreta, afirmou que seu governo acompanha de perto os exercícios militares e denunciou a militarização europeia.

“Contra quem eles planejam lutar novamente?”, questionou.

Rússia e Bielorrússia afirmam que não têm planos de atacar a OTAN ou a União Europeia, a menos que sejam atacadas primeiro.

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