O Departamento de Justiça dos EUA anunciou, na segunda-feira (22), a abertura de uma investigação contra a Poetica Coffee, pequena rede de cafés de Nova Iorque, depois que o estabelecimento declarou que não atenderia o deputado Dan Goldman, do Partido Democrata, por sua defesa de “Israel”.
“A Divisão de Direitos Civis abriu uma investigação e entrará com uma ação se for justificado”, afirmou Harmeet Dhillon, procuradora-geral adjunta, em publicação na rede social X.
Segundo Dhillon, a legislação federal dos EUA proíbe estabelecimentos abertos ao público, como cafés, de discriminar clientes com base em raça, religião ou origem nacional.
Goldman esteve no café localizado em Williamsburg, no Brooklyn, no domingo (21), acompanhado da filha de sete anos, segundo o jornal norte-americano The New York Times. O deputado afirmou que entrou no local para que a criança pudesse usar o banheiro e comprou um café como agradecimento aos funcionários.
Após a visita, a Poetica Coffee publicou uma mensagem no Instagram dirigida ao parlamentar.
“Vimos que você passou hoje pela nossa loja para tomar um café.”
Em seguida, o estabelecimento afirmou que Goldman não teria sido atendido caso tivesse sido reconhecido.
“Não atendemos racistas, fascistas, pessoas que perseguem homossexuais, cúmplices do genocídio ou qualquer coisa entre uma e outra”, disse a Poetica Coffee. “Que pena que não o reconhecemos imediatamente, ou o teríamos mandado embora”.
A empresa informou ainda que devolveu o dinheiro da compra feita por Goldman e acrescentou: “não volte nunca mais à Poetica”.
Na segunda-feira, a publicação já não estava mais disponível, e a conta do café no Instagram aparecia desativada.
Goldman, apoiado pela governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, disputa nesta terça-feira (23) uma eleição primária contra Brad Lander, ex-controlador da cidade de Nova Iorque, apoiado pelo prefeito Zohran Mamdani.
O caso ocorre em meio ao crescimento internacional de campanhas de boicote ao Estado de “Israel”. Desde o início do massacre em Gaza, estabelecimentos comerciais, espaços culturais, hotéis, restaurantes e outros locais passaram a ser alvo de cobranças de movimentos pró-Palestina por suas relações com instituições israelenses ou com figuras públicas que apoiam a agressão sionista.
O movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) defende esse tipo de medida como forma de pressão contra “Israel”. Em diferentes países, apoiadores da Palestina têm denunciado empresas e indivíduos ligados ao Estado sionista ou a seus defensores políticos.
Caso semelhante no Brasil
O episódio nos EUA lembra o caso do bar Partisan, na Lapa, no Rio de Janeiro. O Procon-RJ multou o estabelecimento em R$9.520,00 após o bar exibir um cartaz, em inglês, dizendo que cidadãos dos EUA e de “Israel” “não são bem-vindos”.
A autuação ocorreu depois de uma ação da Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo, que acionou a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor. O vereador Pedro Duarte (PSD) também apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público, com base na Lei nº 7.716/1989, pedindo a abertura de inquérito e eventual reparação por “dano moral coletivo”.
O vereador Flávio Valle, presidente da Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo, acompanhou pessoalmente a fiscalização. Durante a vistoria, os fiscais também constataram que, embora o local funcionasse como bar e espaço de eventos, seu alvará original autorizava apenas serviços gráficos. Valle anunciou que pediu à Secretaria de Ordem Pública a cassação definitiva do alvará.
O caso foi associado ao Projeto de Lei nº 1424/2026, apresentado em 26 de março pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). A proposta pretende estabelecer no Brasil uma definição legal de “antissemitismo” baseada nos critérios da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).
O Artigo 1º do projeto incorpora a definição da IHRA como referência legal. Já o parágrafo 2º do Artigo 2º admite que o “antissemitismo” possa ser dirigido ao Estado de “Israel”, desde que este seja tratado como “coletividade judaica”.
Tanto no caso da Poetica Coffee quanto no caso do Partisan, estabelecimentos foram alvo de medidas estatais após manifestações contra “Israel” ou contra seus apoiadores. Nos EUA, a iniciativa partiu do Departamento de Justiça. No Brasil, a punição ocorreu por meio do Procon-RJ, com participação de parlamentares ligados à Frente de Combate ao Antissemitismo. Uma ação coordenada do sionismo.




