Polêmica

Sionista Jaques Wagner é socorrido por amigo sionista

Jornalista tenta salvar a pele de Jaques Wagner, mas acaba se enrolando e entregando o amigo da bancada sionista da esquerda

Jaques Wagner

O sionista Alex Solnik procurou sair em socorro de Jaques Wagner (PT-BA), também sionista, após o senador petista ter aparecido em investigação da Polícia Federal como suposto recebedor de propina de R$2,4 milhões, na forma de um apartamento, do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

O dito socorro é um artigo do jornalista intitulado “Caro colega Jaques Wagner”, publicado no Brasil247 nesta sexta-feira (19).

Solnik tenta ser criativo, seu texto é uma carta fictícia de Flávio Bolsonaro endereçada a Jaques Wagner na qual o candidato o trata como amigo.

O propósito é estabelecer um contraste entre os dois. De um lado, o corrupto ligado a milicianos e, de outro, um homem preocupado com o bem comum. Mas, nem tudo sai como o jornalista quer.

O texto, escrito entre aspas, inicia com Flávio Bolsonaro dizendo: “Já virou rotina. Homens sérios, honestos e resilientes como nós são habitualmente atacados pelas forças do Mal. Não por seus defeitos, mas por suas qualidades. Tal como eu – que tenho um currículo público exemplar – você está sendo vítima de uma trama insidiosa. Já me acusaram de condecorar homens corajosos que, mesmo sem farda e sem salário do estado, arriscam suas vidas na defesa de cidadãos desprotegidos em troca de uma pequena contribuição voluntária.”

Sem querer, Solnik percebeu que tanto Flávio Bolsonaro quanto Jaques Wagner estão sendo atacados pelas mesmas pessoas, as “forças do mal”. O único problema é que não entende o porquê. A burguesia não quer o bolsonarista e nem Lula no Planalto. Atacar o senador serve para desgastar o Partido dos Trabalhadores. Mesmo que um dos dois candidatos vença as eleições, a burguesia precisa que cheguem muito enfraquecidos ao poder, pois assim será mais fácil de os controlar.

Adiante, Solnik faz uma alusão à questão das “rachadinhas” que envolveram Flávio Bolsonaro. Segundo denúncias, pessoas eram contratadas como assessoras, mas não precisavam ir trabalhar, apenas deixar quase todo o salário nas mãos do político contratante, daí o trecho “já me acusaram de dar emprego a contribuintes sem estudo nem qualificação, sem exigir nada deles, nem que compareçam ao serviço, além de uma insignificante contribuição para meus compromissos filantrópicos.”

Ainda na linha do “este é um corrupto”, Solnik fala da loja de chocolates que serviria para a lavagem de dinheiro. E lembra do diálogo vazado de Flávio Bolsonaro pedindo a Daniel Vorcaro alguns milhões para financiar um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

A “defesa” de Jaques

Quando o Flávio fictício passa a tratar do senador petista, dos “ataques tão baixos” que este vem sofrendo, o jornalista tenta pintar uma figura magnânima. Pergunta: “o que tem de mais você ter colaborado na criação de um mecanismo que proporcionou crédito fácil para cidadãos de 24 estados e 157 cidades poderem comprar geladeiras, televisores, carros e outros bens, movimentando a economia nacional?”

O jornalista, aparentemente, se refere ao mecanismo do crédito consignado com desconto em folha para servidores públicos e que serviu de ponto de partida para a criação do cartão Credcesta.

O modelo foi implementado originalmente na Bahia durante gestões petistas para disponibilizar crédito “fácil e rápido” ao funcionalismo público por meio de cartões de benefício consignado. Como se sabe, o crédito consignado é um problema e um dos fatores de endividamento dos servidores públicos.

Esse modelo de negócio (operado pela empresa PKL/Credcesta) cresceu agressivamente nos anos seguintes. Ele se tornou o braço de crédito consignado do Banco Master, expandindo sua atuação para 24 estados e diversas prefeituras pelo País.

Adiante, Solnik, encarnando Flávio Bolsonaro, pergunta: “Que mal você fez em aumentar a arrecadação de impostos gerados pelos R$ 18 bilhões que esse mecanismo movimentou?” No entanto, até onde se sabe, o valor de R$ 18 bilhões não foi arrecadado pelo governo, trata-se de uma projeção hipotética sobre o faturamento potencial que esse modelo de negócio privado poderia gerar em 15 anos caso fosse implementado em todos os estados do Brasil.

Segundo diz a imprensa, quando Rui Costa, o governador da Bahia, privatizou a estatal de alimentos EBAL (as antigas mercearias Cesta Povo) em 2018 por R$ 15 milhões, embutiu no contrato a exclusividade por 15 anos para operar o Credcesta.

Jaques Wagner era então Secretário de Desenvolvimento Econômico (SDE) do governo de Rui Costa. A SDE foi justamente a pasta que coordenou e comandou a modelagem do leilão de privatização da estatal.

Flávio “Bolsolnik” continua sua missiva dizendo que “somente invejosos e fracassados veem algum crime em você [Jaques Wagner] receber em razão disso um modesto apartamento de R$ 2,4 milhões!”

Desde quando, no Brasil, um apartamento com esse valor pode ser considerado modesto? Daria para comprar 10 apartamentos populares financiados pelo Minha Casa, Minha Vida.

O salário médio no Brasil é de R$ 3.700,00. Quanto tempo demora para um trabalhador juntar esse dinheiro? Se não gastar nenhum centavo, guardar tudo e investir, vai ter de esperar 21 anos, pelo menos.

Seria bom o jornalista esclarecer se considera corrupção uma pessoa ocupar um cargo público, receber seu salário, e depois levar de brinde uma “comissão”, ainda que “modesta”.

O cúmulo do absurdo é o trecho que fala de “algumas viagens em jatinho particular que aliviaram as contas do Senado”, chega a ser surreal. Diante de tão genial argumento, só se pode concluir que os empresários, como, por exemplo, Daniel Vorcaro, ao darem carona em seus jatinhos para ministros do Supremo, senadores, etc., estão fazendo um bem para o País e para o orçamento público. É preciso tirar esses benfeitores imediatamente da cadeia, é um absurdo!

Corrupção

A esquerda tucana, pequeno-burguesa, é muito suscetível quando a questão é corrupção. Uma parte expressiva tem fé nas instituições e acredita que a Justiça, as polícias, estão atrás de corruptos.

Creem, por exemplo, que Vorcaro foi preso não porque invadiu o terreno de cachorro grande, mas porque é corrupto. Essa gente não consegue se afastar do problema para ter uma visão de conjunto, crítica, e perceber que não existe justiça, mas interesses de classe.

Alex Solnik até que tentou ajudar seu amigo da “bancada sionista da esquerda”, mas teria feito melhor se ficasse quieto.

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