A seleção iraniana segurou a Bélgica, no estádio SoFi, em Los Angeles, no domingo (21), pela Copa do Mundo de 2026. O empate por 0 a 0 manteve o Irã na disputa por vaga na fase eliminatória e complicou a situação belga no Grupo G. A atuação foi marcada por resistência defensiva, chances pontuais em contra-ataque e grande partida do goleiro iraniano Alireza Beiranvand.
A Bélgica dominou a posse de bola e terminou a partida com mais de 70% de controle das ações e mais de 20 finalizações. O volume ofensivo, porém, não se traduziu em gol. O Irã sofreu pressão durante quase todo o jogo, fechou espaços, bloqueou linhas de passe e obrigou a equipe belga a insistir em cruzamentos, finalizações de média distância e jogadas forçadas pelos lados.
Beiranvand foi o principal nome iraniano. O goleiro fez sete defesas e garantiu seu segundo jogo sem sofrer gol em sete partidas de Copa do Mundo. Na estreia, contra a Nova Zelândia, ele já havia feito seis defesas no empate por 2 a 2. Contra a Bélgica, repetiu o papel de segurança da equipe e frustrou finalizações de jogadores como Kevin De Bruyne, Romelu Lukaku, Leandro Trossard e Dodi Lukebakio.
Apesar do domínio belga, o Irã teve a chance mais clara em lance de Mehdi Taremi no primeiro tempo. O atacante chegou a balançar a rede, mas o gol foi anulado por impedimento após revisão do árbitro de vídeo. A jogada mostrou que a seleção iraniana não se limitou a afastar bolas: quando conseguiu sair em velocidade, levou perigo real à área adversária.
No fim, a expulsão do defensor belga Nathan Ngoy reforçou a leitura de que o Irã conseguiu incomodar quando acionou Taremi em profundidade. O zagueiro recebeu cartão vermelho após falta desesperada para impedir avanço do atacante iraniano. A jogada sintetizou o incômodo causado por uma equipe que passou boa parte do jogo defendendo, mas manteve capacidade de atacar o espaço deixado pela Bélgica.
O resultado teve repercussão política no Irã. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Ghalibaf, publicou uma mensagem relacionando a postura defensiva da seleção à defesa do país diante das ameaças dos EUA e de “Israel”. A frase usada por ele, ao comentar a imagem do jogo, apresentou a atuação como símbolo de resistência nacional em um momento de tensão.
Dentro de campo, o empate tem peso esportivo evidente. A Bélgica entrou como favorita, com elenco mais valorizado e maior volume ofensivo, mas saiu sem vencer e sob pressão. O Irã, por outro lado, somou ponto contra uma das equipes mais fortes do grupo e reforçou a possibilidade de classificação histórica. A campanha iraniana ganhou impulso justamente em um jogo no qual o adversário parecia ter vantagem técnica clara.
O 0 a 0, portanto, não foi apenas um placar sem gols. Foi um resultado construído por defesa organizada, goleiro decisivo e disciplina coletiva. O Irã aceitou jogar sob pressão, suportou o domínio territorial da Bélgica e saiu de campo com um ponto que pode ser determinante na tabela.





