Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, criticou a campanha da imprensa e de setores da esquerda contra a Seleção Brasileira e contra Neymar. A declaração foi feita na Análise Política da Semana, transmitida pela Causa Operária TV (COTV) no sábado (20).
Ao comentar a vitória do Brasil por 3 a 0 sobre o Haiti, na Copa do Mundo, Pimenta afirmou que a reação de parte da imprensa esportiva e da esquerda mostrou uma hostilidade permanente contra o futebol brasileiro. Segundo ele, em vez de valorizar a vitória, esses setores passaram a condenar a Seleção porque o time não manteve, no segundo tempo, o mesmo ritmo da primeira etapa.
“O Brasil ontem ganhou do Haiti de 3 a 0 e os técnicos esquerdistas saíram a campo para condenar a Seleção Brasileira”, disse. Para Pimenta, a crítica ignora uma questão elementar do futebol: com o jogo ganho, o técnico deve poupar jogadores e testar alternativas.
“Todo mundo que conhece um pouquinho de futebol sabe que, em um jogo fácil, como era o jogo contra o Haiti, não faz sentido colocar o jogador para dar o máximo durante 90 minutos. A Copa do Mundo é uma coisa muito complicada. Então, uma preocupação evidente do técnico brasileiro foi poupar o time no segundo tempo”, explicou.
O povo parou para ver o Brasil
Pimenta destacou os números de audiência do jogo para mostrar que a campanha contra a Copa e contra a Seleção não corresponde ao sentimento popular. A partida foi transmitida pela Globo, pelo SBT e pela CazéTV. Segundo os dados comentados por ele, a Globo reuniu 46 milhões de aparelhos ligados, a CazéTV teve 16 milhões e o SBT, 10 milhões. Ao todo, foram 72 milhões de aparelhos sintonizados.
“Levando em consideração que praticamente nenhum desses aparelhos tinha só uma pessoa assistindo, pelo contrário, em alguns desses aparelhos tinha muita gente assistindo, nós vamos chegar à conclusão de que o País quase inteiro estava assistindo ao jogo do Brasil na Copa”, afirmou.
Para o presidente do PCO, os números desmontam a propaganda de que o povo brasileiro estaria desinteressado pela Copa. “O interesse na Seleção Brasileira é universal, é massacrante, é muito grande”, disse.
Segundo ele, a esquerda brasileira se coloca na contramão do povo quando ataca a seleção e seus principais jogadores. “A política da esquerda de criticar a Seleção, de criticar o Neymar, de criticar determinado jogador, de criticar todo mundo, de jogar tudo para baixo, é uma política que está completamente na contramão do interesse da população”.
Pimenta afirmou que o futebol precisa ser tratado com seriedade pela esquerda justamente porque mobiliza a imensa maioria do povo brasileiro. “Isso confirma aquilo que nós temos dito em várias oportunidades: o futebol é uma paixão popular”.
Neymar e a esquerda pequeno-burguesa
Rui Costa Pimenta também criticou a campanha contra Neymar. Para ele, embora os números de audiência não indiquem diretamente isso, é evidente que o atacante é o grande ídolo da Seleção Brasileira.
“É muito evidente para quem tem olhos para ver, que não é o caso da esquerda, que o Neymar é o grande ídolo da Seleção Brasileira. O pessoal quer ver ele jogar. Mas para a esquerda o negócio é fazer a campanha contra o Neymar”, afirmou.
Pimenta relacionou essa campanha à declaração de Lula contra o jogador. Durante a semana, o presidente ironizou Neymar, dizendo que ele seria o primeiro jogador convocado em regime de home office. Para o dirigente do PCO, a fala expressa uma postura típica da esquerda pequeno-burguesa.
“Essa declaração dele é a declaração típica do esquerdista pequeno-burguês babaca. É daquele cidadão que não gosta de futebol, que não tem conexão nenhuma com o sentimento popular”, disse.
Para Pimenta, a oposição da esquerda a Neymar é eleitoral. O atacante é atacado por ter apoiado Bolsonaro, mas a esquerda tenta apresentar essa oposição como uma crítica moral.
“A oposição de todo esse pessoal ao Neymar é eleitoral. Eles não gostam do Neymar porque o Neymar, na eleição, favoreceu o bolsonarismo, não favoreceu eles. Se o Neymar falasse que ia votar neles, todo o resto era insignificante”, afirmou.
O presidente do PCO também rejeitou os ataques contra Neymar por causa de publicidade, vida pessoal ou discussões com torcedores. Segundo ele, Neymar é um jogador típico do futebol brasileiro, inclusive em seus limites políticos.
“O Neymar, nesse sentido, é um típico jogador de futebol brasileiro. Inclusive do ponto de vista político, porque a Seleção de 70, que ganhou a Copa, apoiava a ditadura. O nível político dos jogadores brasileiros é ruim, é baixo. Mas é uma coisa mais ou menos do povo brasileiro também, porque eles são pessoas que têm uma extração humilde, vieram do povo”, declarou.
Globo e o monopólio da informação
Outro ponto abordado por Pimenta foi a transmissão da partida. Para ele, o fato de a CazéTV ter alcançado 16 milhões de aparelhos ligados é importante porque mostra que o monopólio da Rede Globo foi abalado. No entanto, ele ressaltou que a televisão aberta continua sendo o principal meio de difusão de informação no País.
“A Rede Globo é um monopólio e é um monopólio, como todo monopólio, criminoso. Eles querem dominar totalmente a informação no Brasil, tanto no que diz respeito ao jornalismo como à indústria de entretenimento. E a Internet abriu a porta para que o monopólio começasse a ser destruído”, afirmou.
Pimenta destacou que, apesar do avanço da transmissão pela Internet, a Globo ainda teve 46 milhões de aparelhos ligados, contra 26 milhões das outras duas transmissões somadas. “Ainda assim, eles mantêm o monopólio”, disse.
Para o dirigente do PCO, a televisão aberta deveria ser um recurso usado por diversos setores da população, não por meia dúzia de grupos capitalistas. “Poderia haver vários grupos sociais atuando na televisão aberta: universidades, sindicatos, partidos políticos, organizações populares, organizações estudantis, organizações profissionais. Todas elas dividindo a transmissão da TV aberta. Isso seria normal, seria democrático”, afirmou.
Pimenta concluiu que a campanha contra a Seleção Brasileira e contra Neymar revela uma derrota política da esquerda, que prefere acompanhar a imprensa empresarial a se ligar ao sentimento popular.
“A esquerda brasileira vive num estado de alienação permanente. Não leva em consideração a realidade, vive com um dogma seu. E pior: se choca com a opinião da esmagadora maioria por nada”, concluiu.





