Análise Política da Semana

Rui Pimenta: caso Jaques Wagner é parte da operação contra Lula

Presidente do PCO afirmou que o escândalo do Banco Master é usado para enfraquecer Lula e Bolsonaro antes da eleição

No programa Análise Política da Semana deste sábado (20), transmitido pela Causa Operária TV (COTV), Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), analisou as denúncias envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Para Pimenta, o caso não deve ser tratado apenas como uma denúncia de corrupção, mas como parte de uma operação política ligada à disputa entre setores do capital financeiro e à preparação das eleições de 2026.

Segundo Pimenta, Jaques Wagner é uma figura de grande importância no PT e muito próxima de Lula. Por isso, a denúncia tem peso nacional. O dirigente lembrou, ao mesmo tempo, que Wagner é um representante da ala direita do partido e um dos principais nomes ligados ao sionismo dentro do governo.

“Jaques Wagner não é uma pessoa que a esquerda possa olhar com bons olhos. Ele é o homem do sionismo dentro do governo do PT, mas não só isso. Ele é um dos expoentes da ala direita do PT”, afirmou Pimenta. “O governo do PT na Bahia é um governo da burguesia da Bahia. É um governo de colaboração com a direita baiana, com os capitalistas, com os latifundiários, não é um governo de esquerda, não é um governo popular”.

Para o presidente do PCO, o primeiro problema é o uso seletivo dos inquéritos, com vazamentos e denúncias pontuais. Ele afirmou que os partidos que dizem defender o povo deveriam exigir que todo o caso fosse colocado às claras, e não aceitar a manipulação do escândalo conforme a conveniência de cada setor político.

“Você usar um inquérito para perseguir os inimigos políticos através de vazamentos e de denúncias pontuais não é um processo democrático. Isso independentemente de se as pessoas têm culpa no cartório ou não”, disse.

Pimenta avaliou que o caso Banco Master expressa uma disputa entre banqueiros. Daniel Vorcaro, segundo ele, tentou entrar em uma área dominada pelos grandes bancos. A ofensiva contra o Banco Master, portanto, tem como objetivo fechar a brecha aberta por essa operação e atingir os apoios políticos e jurídicos que a sustentavam.

“Não tem nada a ver com a corrupção. Não é isso que está em questão, embora, logicamente, haja corrupção. É uma luta de cachorro grande contra cachorro pequeno. E a preocupação é que os meios políticos que Vorcaro colocou em andamento para proteger a sua operação sejam liquidados, principalmente no STF”, afirmou.

O dirigente também criticou a conduta do PT e dos bolsonaristas diante do escândalo. Quando surgiram denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro, setores petistas tentaram transformar o caso em um problema exclusivo do bolsonarismo. Agora, com as acusações contra Jaques Wagner, a direita procura usar o mesmo escândalo contra Lula e o PT.

Na avaliação de Pimenta, essa movimentação faz parte da política da burguesia de enfraquecer os dois principais candidatos. “Essa gangorra política, aparece o Flávio Bolsonaro e depois aparece o Jaques Wagner, é uma política de desgaste das duas principais candidaturas na eleição”, disse. “O enfraquecimento dos candidatos abre a possibilidade de controlar o governo independentemente de quem ganha as eleições, que é o verdadeiro objetivo”.

Perseguição sionista

Pimenta também tratou da campanha em torno do chamado combate ao antissemitismo. Para ele, a questão está sendo usada no Brasil para encobrir os crimes de “Israel” contra o povo palestino e perseguir quem denuncia o genocídio em Gaza.

O presidente do PCO criticou setores da esquerda que colocam o combate ao antissemitismo como centro da discussão, no momento em que os sionistas movem processos contra os defensores da Palestina. Ele citou o processo em que o Ministério Público de São Paulo pede o fechamento das redes sociais do PCO e uma indenização de R$240 milhões à população judaica brasileira.

“Qualquer evocação do antissemitismo nesse momento é uma tentativa de evitar a crítica, a condenação daquilo que está acontecendo na Palestina. Uma organização de esquerda colocar o problema do antissemitismo como um problema central é uma capitulação diante da pressão que está sendo exercida sobre o País inteiro pelos sionistas”, afirmou.

Irã, Líbano e Bolívia

No terreno internacional, Pimenta afirmou que o memorando assinado entre Irã e Estados Unidos expressa uma vitória iraniana. Segundo ele, o Irã não abriu mão do controle do Estreito de Ormuz nem do seu sistema de defesa. A única concessão foi o compromisso de não desenvolver armas nucleares, algo que classificou como abstrato diante da situação política.

“O Irã e os Estados Unidos assinaram um memorando de intenções que caracteriza uma nítida vitória iraniana no conflito com os Estados Unidos”, afirmou. “No memorando, os Estados Unidos se comprometem com uma indenização de guerra ao Irã. Quer dizer, uma vitória total”.

Pimenta relacionou o acordo aos ataques de “Israel” contra o Líbano. Para ele, Netaniahu procura sabotar o entendimento por meio de bombardeios contra a população civil libanesa. O dirigente afirmou que o “crime” do Hesbolá foi apoiar o povo palestino em Gaza contra o genocídio promovido pelo Estado sionista.

O presidente do PCO também comentou a crise na Bolívia. Segundo ele, o governo decretou estado de emergência para colocar o exército contra o povo mobilizado. Pimenta criticou a direção da Central Operária Boliviana (COB), que tentou negociar com o governo passando por cima das bases que pedem a saída do presidente.

“O que mostra que uma das grandes dificuldades do povo é a sua direção. O povo quer lutar, mas as direções querem impedir o povo de lutar”, disse.

Copa e ataque a Neymar

Ao final, Pimenta comentou a vitória do Brasil por 3 a 0 contra o Haiti, pela Copa do Mundo. Ele criticou a campanha de setores da esquerda e da imprensa esportiva contra a Seleção Brasileira e contra Neymar.

Segundo Pimenta, a grande audiência da partida mostrou que o futebol continua tendo enorme força popular no Brasil. Ele citou os números de aparelhos ligados na Globo, na CazéTV e no SBT para afirmar que a Copa mobiliza praticamente o País inteiro.

“A política da esquerda de criticar a Seleção, de criticar o Neymar, de criticar determinado jogador, de criticar todo mundo, de jogar tudo para baixo, é uma política que está completamente na contramão do interesse da população no que está acontecendo”, afirmou.

Para Pimenta, a perseguição a Neymar tem motivação eleitoral, pelo fato de o jogador ser identificado com o bolsonarismo. O dirigente afirmou que, em plena Copa do Mundo, a esquerda deveria reconhecer a importância popular da Seleção Brasileira, em vez de repetir a campanha contra o maior jogador brasileiro dos últimos anos.

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