Entregadores do Mercado Livre e da Shopee paralisaram atividades em Salvador e na Região Metropolitana, na quarta-feira (17). A greve foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores de Logística (SINTRAMMOVS/BA) após o fracasso das negociações salariais e atinge a saída de mercadorias e entregas na região. A paralisação começou às 5h no centro de distribuição do Mercado Livre, na Via Parafuso, em Camaçari, e depois teve adesão de prestadores de serviço da Shopee.
A mobilização foi aprovada em assembleia da categoria e anunciada como greve por tempo indeterminado. Os trabalhadores protestam contra a defasagem das taxas pagas por rota e contra as condições de trabalho. Segundo a direção sindical, as plataformas mantêm postura rígida e não abrem negociação efetiva com os entregadores. A greve deve continuar enquanto as empresas não aceitarem dialogar sobre as propostas apresentadas.
A paralisação atinge um setor marcado pela terceirização e por vínculos instáveis. Embora os entregadores sejam essenciais para a circulação de mercadorias, especialmente nos grandes centros urbanos, a remuneração por rota e as condições de trabalho são definidas de forma unilateral pelas empresas e intermediárias. A greve expõe a tensão entre o crescimento dos grandes serviços de comércio eletrônico e a situação dos trabalhadores que sustentam a entrega diária dos produtos.
No centro de distribuição de Camaçari, o bloqueio da saída de mercadorias teve impacto imediato sobre as operações. Com a adesão de prestadores da Shopee, a mobilização deixou de se limitar a uma empresa e passou a atingir o setor de marketplaces de maneira mais ampla na capital baiana e em cidades próximas. A decisão de suspender a circulação de entregas busca pressionar as plataformas em um ponto sensível: o cumprimento dos prazos de envio.
O presidente do sindicato, Marcos Santos, afirmou que o Mercado Livre se recusa a negociar com a categoria. A greve, portanto, não aparece como ação isolada, mas como resultado de uma negociação frustrada. A reivindicação central é a atualização dos valores pagos pelas rotas, mas a mobilização também denuncia a falta de condições adequadas para quem transporta as encomendas. Sem acordo, os trabalhadores afirmam que a paralisação continuará por tempo indeterminado.





