O jornal Estadão publicou, nesta terça-feira (16), uma matéria mostrando mais uma vez o envolvimento do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, com o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso, por ser o organizador de uma extensa e farta rede de corrupção envolvendo grandes nomes da política nacional e até mesmo de instituições como o STF.
O nome de Hugo Motta, nesta reportagem, aparece em uma lista de passageiros do jatinho de Daniel Vorcaro que voou para Lisboa em junho de 2024. A viagem, segundo troca de mensagens obtidas pela Polícia Federal, teria acontecido acompanhada do senador Ciro Nogueira.
Conforme as informações, além da viagem, há pagamentos incluindo hospedagem do Ritz-Carlton, o hotel mais caro de Lisboa, para participação do “Gilmarpalooza”, um “fórum jurídico” promovido pelo ministro do STF Gilmar Mendes na capital portuguesa.
A hospedagem de cada uma dessas figuras públicas custou R$90 mil, segundo apurou a Polícia Federal a partir de perícia nos celulares do ex-dono do Banco Master, revelou o jornalista Fausto Macedo, do Estadão.
Em seu relatório, a PF descreve: “No dia 18/06/2024, DANIEL BUENO VORCARO informou que necessitaria de reservas de hotel em LISBOA, no período de segunda-feira a sábado, para ele próprio E para “Ciro e Hugo”. Conforme se verifica adiante na mesma conversa, os nomes mencionados referem-se, respectivamente, a Ciro Nogueira e Hugo Motta.
As mensagens analisadas pelos investigadores também revelam uma preocupação expressa do empresário com a privacidade do encontro e com a segurança dos participantes. Conforme a PF, Vorcaro orientou seu assistente a reforçar medidas para impedir qualquer visualização do ambiente onde ocorreriam reuniões e confraternizações.
A Procuradoria Geral da República, nesta segunda-feira (15), rejeitou a segunda proposta de delação premiada do banqueiro Vorcaro. Com a rejeição da PGR, a segunda tentativa de Vorcaro de assinar um acordo de colaboração está totalmente encerrada. Os investigadores concluíram que o banqueiro não apresentou novidades em relação ao material que já foi apreendido e não assumiu que cometeu crimes.
Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (16), devolveu para julgamento os processos sobre as prisões do empresário Felipe Cançado Vorcaro e de Henrique Vorcaro, respectivamente primo e pai do banqueiro Daniel Vorcaro. Os casos serão analisados pela Segunda Turma do STF, que vai decidir sobre o referendo das decisões do ministro André Mendonça que determinaram as prisões.
O que podemos perceber é que há um aumento constante na pressão sobre o banqueiro para que sua delação atenda interesses de um setor muito grande do capital internacional. Tudo indica que os alvos dessa pressão são os ministros do Supremo, Alexandre Moraes e Dias Toffoli, já citados em reportagens do Estadão e da Folha com estreitas relações com o dono do Banco Master.





