Trabalhadores das empreiteiras do setor elétrico iniciaram greve por tempo indeterminado em São Paulo, nesta sexta-feira (12). A paralisação começou com forte adesão nas bases, após meses de negociação, uma greve de 72 horas, audiências no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) e a recusa das empresas em apresentar uma proposta considerada suficiente pela categoria.
O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo afirmou que o primeiro dia de greve desmontou a justificativa das empreiteiras de que não haveria recursos para garantir ganho real aos salários. Relatos recebidos pela entidade indicaram que empresas passaram a pressionar trabalhadores para que não aderissem à paralisação e chegaram a oferecer valores de até R$ 500 por dia para quem aceitasse furar o movimento.
A greve ocorre em meio à campanha salarial 2026/2027 dos trabalhadores de empreiteiras que atuam no setor elétrico. A categoria reivindica valorização profissional, melhoria de salários, avanços em benefícios e condições de trabalho. Para o sindicato, a atividade dos eletricitários exige formação, treinamento e responsabilidade, já que envolve serviços essenciais, segurança da população e funcionamento da rede elétrica.
O presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Eduardo Annunciato, o Chicão, avaliou que a reação das empresas mostra que há margem financeira para atender às reivindicações. A entidade informou que conversas com concessionárias contratantes já apontavam a existência de recursos para melhorar as condições dos trabalhadores. A pressão contra a greve, portanto, foi apresentada como sinal de que a falta de dinheiro não seria o problema central.
A Conecta foi citada como exemplo de empresa que avançou nas negociações. A proposta aprovada pelos trabalhadores da empresa incluiu ganho real, escala 5×2, melhorias em benefícios e avanços em cláusulas sociais. Outras empresas também teriam procurado o sindicato nos últimos dias e sinalizado disposição para apresentar propostas. A expectativa da entidade é que esses encaminhamentos sejam formalizados e submetidos à avaliação das bases.
O sindicato afirmou que a greve continuará até que haja avanços concretos. Além da paralisação nas portas das empresas, a entidade pretende ampliar ações contra irregularidades e descumprimentos trabalhistas. Também foi mencionada a possibilidade de trabalhadores ingressarem com ações de rescisão indireta contra empresas que mantêm condições consideradas abusivas. A paralisação, portanto, ultrapassa a disputa salarial imediata e coloca em discussão o modelo de terceirização no setor elétrico.





