Durante as atividades do XII Congresso do Partido da Causa Operária, o pré-candidato ao governo de Pernambuco, Victor Assis, concedeu uma entrevista na qual afirmou que realidade pernambucana funciona como um reflexo dos problemas centrais que atingem todo o território nacional, destacando-se um processo generalizado de desindustrialização que resultou no aumento expressivo do desemprego e no esmagamento das perspectivas de futuro para a população pobre e para a juventude.
No campo político, Victor Assis direcionou críticas à atuação dos partidos de esquerda na região. Ele afirmou que a esquerda institucional capitulou vergonhosamente diante do Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda que dominou o governo estadual e a prefeitura da capital por cerca de duas décadas. O pré-candidato apontou que, embora tenha ocorrido uma mudança recente com a vitória do Partido da Social Democracia Brasileira no governo do estado, a esquerda tradicional permanece atrelada aos interesses do bloco anterior. Para Assis, a decisão do Partido dos Trabalhadores (PT) de não apresentar uma candidatura própria nas próximas eleições estaduais constitui um erro político de grandes proporções.
O posicionamento das organizações que se reivindicam da esquerda revolucionária também foi alvo de contestação por parte do integrante do PCO. Victor Assis argumentou que esses agrupamentos falham em combater as reais necessidades e problemas que afetam a classe trabalhadora cotidiana, optando por priorizar questões identitárias. Nesse sentido, ele citou como exemplo a projeção da pré-candidatura de Jones Manoel, a quem caracterizou notoriamente como um porta-voz da política identitária pró-imperialista.
Ao avaliar a qualidade dos serviços públicos oferecidos aos cidadãos pernambucanos, o pré-candidato denunciou uma situação de profundo descaso e desumanidade. Ele relatou que a população enfrenta filas imensas nos hospitais e sofre com a ausência crônica dos atendimentos mais básicos e essenciais à sobrevivência.
A crise na área da educação foi qualificada por Assis como um verdadeiro terror cotidiano. De acordo com o seu relato, as escolas públicas estaduais combinam a falta de infraestrutura mínima para o aprendizado com um déficit grave no quadro de docentes, o que sobrecarrega os professores em atividade com jornadas de trabalho absurdas. O pré-candidato também criticou o modelo de ensino integral adotado pela propaganda oficial, argumentando que o formato transformou os colégios em prisões que retêm os adolescentes das sete da manhã às seis da tarde sem oferecer atividades produtivas ou conhecimento efetivo.
Para piorar o cenário escolar, Victor Assis relembrou os impactos da chamada lei Felca, que proibiu o uso de aparelhos celulares dentro das salas de aula, isolando ainda mais os estudantes. Ele encerrou a sua análise denunciando o atraso crônico na distribuição de insumos escolares, afirmando que a entrega de livros e materiais didáticos costuma ocorrer apenas nos meses de julho ou agosto, já na reta final do ano letivo, o que acabou se tornando motivo de piada e chacota entre os próprios alunos da rede pública de Pernambuco.





