Universidades

DCE da USP encerra greve, mas estudantes ocupam sede da administração

A decisão do DCE ocorreu após assembleia apertada, enquanto grupos estudantis independentes denunciaram repressão, prisões e a manutenção das pautas

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de São Paulo (USP) anunciou, na segunda-feira (8), em São Paulo, o fim da greve estudantil. Na mesma noite, estudantes ocuparam os blocos K e L da Administração Central, no campus Butantã. A decisão do DCE ocorreu após assembleia vencida por pequena diferença, enquanto grupos independentes denunciaram repressão, prisões e a manutenção das reivindicações por permanência, alimentação e transporte.

O DCE da USP informou o encerramento de uma greve que durava quase dois meses. A assembleia terminou com 323 votos pelo fim da paralisação e 255 pela continuidade. Os estudantes reivindicavam melhores condições de alimentação, moradia e aumento das bolsas estudantis. A decisão permite que cada curso defina separadamente se segue ou não paralisado.

Na mesma noite, dezenas de estudantes ocuparam os blocos K e L da Administração Central da USP, no campus Butantã. A ação ocorreu em protesto contra a piora das condições de permanência estudantil, os problemas nos Restaurantes Universitários (RUs), as retaliações contra grevistas e o cancelamento do apoio ao transporte de estudantes de Pedagogia e licenciaturas ao 43º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ENEPe).

A Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) afirmou que a ocupação foi realizada como parte da luta contra medidas da Reitoria durante a greve. Pouco depois do início da ação, a Guarda Universitária (GU), junto com a Polícia Militar (PM), entrou no prédio para retirar os estudantes. A entidade denunciou hostilizações, agressões, perseguições após a desocupação e ataques contra jovens que estavam na fila do Restaurante Universitário e na Moradia Universitária do Crusp.

A Agência Brasil informou que seis jovens entre 18 e 22 anos foram detidos, levados ao 7º Distrito Policial, na Lapa, ouvidos e liberados. O caso foi registrado como lesão corporal grave e dano ao patrimônio público. A Polícia Militar afirmou que havia barricadas, fogos de artifício, porretes, rádios comunicadores, megafone, marreta e estilingue. O DCE disse não ter relação com a ocupação e informou que o grupo se declarou independente.

As reivindicações dos ocupantes incluem aumento de R$300,00 no auxílio do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, fim do contrato com a empresa Básica Refeições, contratação de outra empresa para fornecer alimentação digna, garantia de não retaliação, fim de inquéritos contra estudantes e reorganização coletiva do calendário acadêmico.

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