Os Estados Unidos endureceram a entrada de atletas, árbitros, torcedores e integrantes de delegações às vésperas da Copa do Mundo na terça-feira (9), atingindo seleções como Irã, Iraque, Senegal e Uzbequistão. As restrições envolveram vistos negados, ingressos revogados, interrogatórios, revistas rigorosas e a exclusão de um árbitro somali selecionado para atuar no torneio.
A Federação de Futebol do Irã afirmou que sua cota de ingressos foi revogada poucos dias antes do início da Copa, deixando torcedores que já haviam feito planos de viagem sem acesso às partidas. Cada federação participante tem direito a 8% dos ingressos de cada jogo de sua seleção, a serem distribuídos segundo seus próprios critérios. A entidade iraniana classificou a medida como contrária ao espírito das competições internacionais e ao princípio de igualdade entre países participantes.
Além dos torcedores, a delegação iraniana também foi atingida. Os EUA concederam vistos aos jogadores apenas dez dias antes da estreia, mas negaram entrada a vários membros da comissão técnica e administrativa. Entre os barrados estavam integrantes importantes da delegação, incluindo o presidente da federação, o gerente da equipe, analistas, diretor de comunicação e representante do Ministério das Relações Exteriores do Irã.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que a seleção iraniana poderá entrar nos EUA na véspera de cada uma de suas três partidas, mas proibiu a entrada de diversos membros da equipe, inclusive o presidente da Federação de Futebol do país, Mehdi Taj. Antes disso, informações atribuídas ao embaixador iraniano no México indicavam que o grupo teria de entrar e sair no mesmo dia dos jogos. O Irã enfrenta a Nova Zelândia em Los Angeles em 15 de junho, a Bélgica também em Los Angeles em 21 de junho e o Egito em Seattle em 26 de junho.
Outro fato que chamou a atenção foi o fato de que o atacante iraquiano que marcou o gol que garantiu a classificação do país para a Copa, Aymen Hussein foi interrogado por 7 horas pelo serviço de imigração (ICE) no aeroporto O’Hare, em Chicago, como forma de pressão e intimidação contra o principal jogador do Iraque, enquanto o fotógrafo da delegação do país foi impedido de entrar nos EUA.
A política de entrada também atingiu outros países. O árbitro Omar Artan, da Somália, teve a entrada negada depois de mais de 11 horas de interrogatório e foi excluído da Copa. Ele seria o primeiro somali a apitar o torneio.
Jogadores de Senegal foram revistados na área de embarque em Raleigh, na Carolina do Norte, e a seleção do Uzbequistão passou por inspeções com cães farejadores e detectores de metais em Nova York. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) afirmou que não interfere nos processos de imigração dos países-sede.
O contraste é evidente: depois de campanhas agressivas contra Copas realizadas no Brasil, na Rússia e no Catar, a edição nos EUA ocorre sob restrições migratórias que afetam diretamente seleções, torcedores e profissionais credenciados, com total silêncio da FIFA, que um ano antes conferiu o seu Prêmio da Paz (denominado “FIFA Peace Prize – Football Unites the World”) para Donald Trump, mostrando que a organização, na verdade, está alinhada com a política mais agressiva do imperialismo contra os participantes de seu próprio torneio.



