A defesa de Daniel Vorcaro sofreu uma baixa nesta sexta-feira (22), após a Polícia Federal rejeitar a primeira proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro. José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou o caso em “comum acordo”, depois de ter sido o responsável pelo acordo recusado pelos investigadores.
A proposta foi devolvida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) com pedido de complementações. Segundo a avaliação dos investigadores, o material apresentado era insuficiente diante das provas já reunidas pela PF e ainda protegia pessoas contra as quais a própria corporação afirma ter elementos robustos.
Um dos principais pontos de atrito foi financeiro. A defesa propôs a devolução de até R$60 bilhões em um prazo de 10 anos. A fórmula foi recusada pelos investigadores, que passaram a exigir liquidez imediata dos ativos. Com a rejeição, as reuniões bilaterais para homologação do acordo foram suspensas.
A saída de Juca também ocorre depois de uma série de choques com o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Nas últimas semanas, o advogado teve uma discussão ríspida com o ministro. Depois disso, Mendonça cortou a interlocução direta e passou a exigir que a defesa se comunicasse apenas por petições formais.
Também pesou contra Juca a revelação, pelo Estadão, de um encontro com o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Floriano de Azevedo, aliado de Alexandre de Moraes. A defesa ficará provisoriamente a cargo do advogado mineiro Sérgio Leonardo. O substituto definitivo ainda não foi anunciado.
No mesmo dia da saída de Juca, André Mendonça autorizou o retorno de Daniel Vorcaro para cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Dias antes, o banqueiro havia sido retirado de uma sala de Estado-Maior e transferido para cela comum. Interlocutores do caso relacionam a nova decisão à mudança na defesa.
A crise no entorno de Vorcaro também atingiu sua família. Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, sofreu um surto na quinta-feira (21), no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, Minas Gerais. Ele está preso desde 14 de maio, no âmbito da Operação Compliance Zero.
Segundo relatos ligados ao caso, Henrique Vorcaro tem diagnóstico de depressão e apresentou lapsos de memória, choros e momentos de desespero. O quadro teria se agravado após a rejeição da delação do filho. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais negou maiores intercorrências e informou apenas que ele passou por atendimento médico.
Henrique Vorcaro é fundador do Grupo Multipar. A PF o aponta como um dos articuladores financeiros do grupo chamado “A Turma”. As acusações fazem parte da investigação sobre o esquema ligado ao Banco Master.
Outro desdobramento ocorreu no Supremo Tribunal Federal. A Segunda Turma julgava a manutenção da prisão preventiva de Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, quando o ministro Gilmar Mendes apresentou pedido de vista. Com isso, o julgamento foi suspenso por até 90 dias.
O relator André Mendonça votou pela manutenção da prisão. O ministro apontou periculum libertatis, risco de obstrução das investigações e possibilidade de reiteração. Os próximos ministros aptos a votar são Luiz Fux e Nunes Marques.
Felipe Vorcaro foi preso em 7 de maio. Ele é sócio de 14 empresas e é apontado pela PF como o cérebro operacional do núcleo financeiro do Banco Master. É filho de Oscar Vorcaro, diretor da BRGD S.A., empresa apontada pelos investigadores como origem primária dos recursos ilícitos.





