Os profissionais da educação municipal de São Paulo decidiram encerrar a greve, em frente à Prefeitura, na quinta-feira (21), após 24 dias de paralisação. A decisão ocorreu depois que o governo apresentou um Protocolo de Entendimento lido em assembleia pelo presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem), Claudio Fonseca. A categoria decidiu não rejeitar a proposta, embora as entidades tenham afirmado que o documento não atende todas as reivindicações.
A greve reuniu docentes, gestores e trabalhadores do Quadro de Apoio, com participação de entidades que compõem a Coordenação das Entidades Sindicais Específicas da Educação (Coeduc). A negociação envolveu a Secretaria Municipal de Educação (SME) e a Secretaria Municipal de Gestão (Seges). O protocolo apresentado trata de valorização salarial, direito de greve, pagamento dos dias parados mediante reposição, carreira, formação, concursos, módulo de pessoal, educação inclusiva, infraestrutura, tecnologia e mesa permanente de negociação.
Um dos pontos centrais foi a Lei nº 18.463/2026, que estabeleceu reajuste geral anual ao funcionalismo de 2% em maio de 2026 e 1,48% em maio de 2027. As entidades afirmaram que a Coeduc impediu a inclusão de itens da lei no protocolo da greve, como a ampliação de contratos temporários e a transformação de professor de educação infantil em professor de educação infantil e ensino fundamental I. O sindicato afirma que continuará lutando contra a regulamentação dessa mudança, que, segundo a entidade, pode causar perda de vencimentos para professoras e professores de educação infantil.
A paralisação havia sido aprovada em assembleia no dia 28 de abril, após a categoria rejeitar proposta do prefeito Ricardo Nunes. O movimento também denunciou problemas nas escolas, como salas superlotadas, módulos insuficientes, falta de segurança, falta de infraestrutura, adoecimento de trabalhadores, suspensão de direitos e necessidade de concursos públicos. Em 6 de maio, o sindicato afirmou que mais de 30 mil manifestantes caminharam da Secretaria Municipal de Educação até a Prefeitura.
Nos dias seguintes, a categoria manteve a greve após a aprovação do Projeto de Lei nº 354/2026 na Câmara Municipal, em segunda votação, por 35 votos a 16. Na etapa final, as entidades avaliaram que a pressão obrigou o governo a alterar a minuta do protocolo. A greve foi encerrada, mas o sindicato afirmou que a luta por valorização, carreira, saúde, segurança e melhores condições de trabalho continuará nas negociações permanentes.


