Profissionais da educação municipal decidiram manter a greve em frente à Prefeitura de São Paulo, em São Paulo, na terça-feira (19), após assembleia da categoria. A paralisação continua porque o governo municipal não apresentou resposta concreta às reivindicações, que incluem reajuste salarial, melhores condições de trabalho, concursos, saúde, educação inclusiva e valorização dos servidores.
A greve começou em 28 de abril, quando os trabalhadores rejeitaram a proposta da gestão Ricardo Nunes. O governo ofereceu reajuste de 3,51% em duas parcelas, sendo 2% em maio de 2026 e 1,48% em maio de 2027. Também propôs 5,4% apenas sobre pisos remuneratórios de professores do Quadro dos Profissionais de Educação (QPE) em uma faixa específica, deixando de fora gestores e servidores do Quadro de Apoio, como agentes escolares e Auxiliares Técnicos de Educação (ATEs).
As negociações vinham desde novembro de 2025 entre a administração municipal e entidades da educação, entre elas o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (SINPEEM). A pauta não se limita ao salário. A categoria cobra incorporação de abonos complementares, valorização das carreiras, melhoria da saúde do trabalhador, fortalecimento da educação especial e inclusiva, realização de concursos públicos, convocação de aprovados e fim das terceirizações e privatizações em áreas da educação municipal.
O impasse aumentou porque a Prefeitura enviou à Câmara Municipal um projeto restrito ao reajuste anual de 3,51%, sem contemplar pontos centrais das condições de trabalho. Desde o início da greve, a categoria realizou assembleias e manifestações nos dias 28 de abril e 6, 12, 13, 15 e 19 de maio. A continuidade aprovada na terça-feira mostra que os professores e demais servidores não aceitaram encerrar o movimento apenas com a proposta salarial já apresentada.
Entre as denúncias feitas pela categoria estão salas superlotadas, módulos insuficientes de trabalhadores, falta de segurança, problemas de infraestrutura e adoecimento crescente dos profissionais. Os servidores também cobram políticas efetivas de saúde mental e de educação inclusiva, além da revisão de medidas que retiram direitos de trabalhadores readaptados ou afastados por licenças superiores a 30 dias, como a suspensão da Jornada Especial Integral de Formação (Jeif), que pode representar perda de remuneração.
A decisão de manter a greve, tomada diante da Prefeitura, reforça que o movimento é uma disputa sobre o funcionamento da rede municipal de ensino. Professores, gestores e trabalhadores do apoio afirmam que não há como garantir escola pública de qualidade com falta de pessoal, retirada de direitos, baixos reajustes e deterioração das condições de trabalho. Sem nova proposta da gestão municipal, a categoria segue mobilizada e mantém a pressão para que as reivindicações sejam discutidas de forma efetiva.


