Na semana passada, dia 13, o Banco do Brasil apresentou o seu resultado referente ao 1º trimestre de 2026.
O resultado apresentado demonstra o quanto os grandes capitalistas vêm se utilizando dos recursos da União, ou seja, do povo, para se beneficiar.
“No primeiro trimestre de 2026, o lucro líquido do Banco do Brasil totalizou R$ 3,431 bilhões, o que representou uma queda de 53,5% em relação ao resultado do mesmo período de 2025, quando o lucro líquido do banco atingiu R$ 7,374 bilhões. Em relação ao trimestre anterior, a queda foi de 40,2%. É importante notar que o banco fez uso de créditos tributários nesses três trimestres comparados. No primeiro trimestre de 2026, o valor totalizou R$ 2,1 bilhões, ou seja, o lucro teria sido ainda menor, de apenas R$ 1,3 bilhão, sem o uso desses créditos. O retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL) ajustado anualizado caiu 9,4 pontos percentuais (p.p.) em 12 meses, ficando em 7,3%. Segundo o banco, a queda no lucro foi influenciada principalmente pela redução das despesas de captação, em função de menores volumes de LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e pelo efeito calendário (3 dias úteis a menos); pelo aumento no custo do crédito de 85,8% (totalizando R$ 18,9 bilhões), ainda devido aos problemas de inadimplência na carteira agro…” (Fonte: Dieese – Destaques das Demonstrações Financeiras do Banco do Brasil – 1º trimestre de 2026)
O tombo no lucro do BB já vinha se desenhando desde o ano de 2025, com uma queda nos seus lucros, devido ao calote dos latifundiários (agronegócio), de 45,4%, fechando o ano com um lucro de R$ 20,68 bilhões contra os mais de R$ 35 bilhões em 2024.
Ao longo do ano de 2025, o calote dos latifundiários foi subindo gradualmente, trimestre a trimestre. No primeiro, foi de R$ 7,37 bilhões, o último trimestre de normalidade; depois disso, só ladeira abaixo. No 2º trimestre, caiu para quase a metade do trimestre anterior, R$ 3,78 bilhões; no 3º trimestre, manteve-se no mesmo patamar do 2º, R$ 3,78 bilhões; no 4º trimestre, devido ao fôlego artificial gerado por negociações em que o banco e o governo realizaram sucessivos aditamentos e prorrogações de prazos para os latifundiários, o resultado foi de R$ 5,70 bilhões e, agora, no 1º trimestre de 2026, chegou-se ao fundo do poço com um lucro pífio de R$ 3,43 bilhões.
Os números apresentados pela direção do Banco do Brasil revelam, mais uma vez, que essa conversa de “livre mercado”, de que o capitalismo é maravilhoso, é o sistema das oportunidades etc. e tal, é para enganar os mais incautos. Quando os “negócios” estão bem, os lucros são para uns poucos parasitas beneficiários, mas, quando a crise aperta, quem arca com as consequências é toda a população, ou seja, quando os latifundiários estão bem, ganham sozinhos, mas, quando estão mal, é o povo que paga. Essa mesma situação acontece em outros setores da economia, como, por exemplo, no setor automotivo, que, durante as sucessivas crises, recebeu dinheiro público do governo federal por meio do corte de impostos; com as grandes empreiteiras e concessionárias, por meio de rolagem de dívidas; no setor de aviação, por meio de subsídios do governo no querosene; e, mais recentemente, como todo mundo está acompanhando, no maior calote financeiro da história do Brasil, no caso do banco Master, que tem como uma das suas vítimas o Banco de Brasília (BRB), que sofreu um calote de R$ 12 bilhões, podendo chegar a mais de R$ 40 bilhões, segundo analistas.
Mas é preciso deixar claro que, se nada for feito, nada mudará. A premissa fundamental para que os bancos estatais cumpram um verdadeiro papel social é que deixem de ser instrumentos controlados pela burguesia. A consecução desse objetivo passa, necessariamente e em primeiro lugar, pela luta pela estatização de todo o sistema financeiro, centralizando, nas mãos do Estado, todo o crédito, o controle sobre a moeda, sobre os juros etc. Em segundo lugar, é preciso lutar pelo controle operário (bancários e demais categorias de trabalhadores) do sistema financeiro.
Somente os trabalhadores – maioria produtiva e não parasitária do País, sem compromissos com o imperialismo e com o grande capital – podem garantir a correta destinação dos recursos, por meio de uma política de desenvolvimento que vise financiar o pequeno agricultor e o pequeno empresário da indústria e do comércio, e que viabilize uma política de habitação, saneamento e desenvolvimento das condições de vida que atenda à população explorada do País.





