Professores e servidores da rede municipal de ensino de São Paulo fizeram um ato no centro da capital paulista, na quarta-feira (13), para tentar barrar a proposta de reajuste salarial do prefeito Ricardo Nunes. A manifestação começou em frente à Prefeitura, no Viaduto do Chá, e seguiu em direção à Câmara Municipal, onde ocorreria a segunda votação do projeto. Famílias e crianças das escolas municipais também participaram em apoio aos trabalhadores da educação.
A mobilização ocorreu em meio a uma greve que já durava 15 dias. Os servidores reivindicam reajuste de ao menos 5,4%, mais 10% de aumento real, além da incorporação de abonos complementares. A proposta da prefeitura prevê 2% de reajuste neste ano e 1,51% em 2027. Para os sindicatos que compõem a Coordenação das Entidades Sindicais Específicas da Educação Municipal, a proposta é insuficiente e desrespeitosa, pois preserva perdas salariais acumuladas e não responde às condições de trabalho nas unidades escolares.
A ida dos trabalhadores à Câmara buscou pressionar vereadores a rejeitar o texto do Executivo, que já havia sido aprovado em primeira votação. A presença de famílias indicou que a pauta ultrapassa a remuneração dos profissionais e envolve diretamente a qualidade do atendimento nas escolas. Segundo a coordenação sindical, a rede enfrenta salas lotadas, falta de funcionários, excesso de trabalho e problemas de infraestrutura.
A Polícia Militar acompanhou o ato e informou que a manifestação provocou interdição de ruas na região central. A Prefeitura de São Paulo afirmou, em nota, que apresentou proposta de aumento salarial de 3,51% para todos os servidores, com base no IPC-Fipe acumulado entre abril de 2025 e março de 2026. O governo municipal também declarou que a medida teria impacto superior a R$ 1 bilhão por ano na folha de pagamento.
Apesar da reclamação de Ricardo Nunes com a cifra a ser destinada aos professores, a prefeitura de São Paulo tem perda anual de cerca de 40 bilhões com renúncias fiscais, a maioria para grandes empresas; paga mais de 50 bilhões de dívida pública, na maior parte para bancos e grandes instituições financeiras, cerca de 41,5% da receita líquida de 2026, sendo de 1,3 a 2 bilhões somente de juros e encargos. Além disso, 56 bilhões de reais são devidos à prefeitura de impostos não pagos, a maioria de grandes empresas e grandes empresários.
Os professores, por outro lado, sustentam que a reposição pela inflação não recupera perdas anteriores nem melhora a carreira, especialmente diante do aumento das demandas nas escolas municipais.
O protesto mostra o choque entre o ajuste fiscal defendido pela gestão municipal e a cobrança por valorização dos servidores que mantêm a rede pública funcionando. Ao levar a greve para o centro político da cidade, os educadores tentaram impedir que a votação encerrasse a negociação sem ganho real. A disputa também expõe a importância dos abonos na composição dos salários: ao pedir incorporação, os trabalhadores buscam transformar parcelas temporárias em remuneração permanente, com impacto em férias, aposentadoria e demais direitos. O desfecho da votação tende a definir se a greve sairá vitoriosa ou se o movimento terá de reorganizar sua pressão contra a proposta aprovada.


