Centro-Oeste

Trabalhadores da educação de Goiânia entram em greve

O Tribunal de Justiça de Goiás determinou a manutenção mínima de 70% dos servidores da educação em atividade. A decisão também proibiu atos que impeçam o funcionamento das escolas

Trabalhadores da rede municipal de Educação de Goiânia paralisaram aulas em Goiânia na terça-feira (12), após decisão de greve aprovada em assembleia. O Sintego informou que cerca de 4 mil trabalhadores aderiram ao movimento, com impacto estimado sobre aproximadamente 23 mil alunos da rede municipal.

Segundo a presidente em exercício do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Goiás, Ludymilla Morais, cerca de 50 escolas deveriam aderir à paralisação e outras 50 funcionariam parcialmente. Ela afirmou que as unidades não seriam tratadas como “fechadas”, pois as secretarias permaneceriam abertas para atender a comunidade. A greve foi decidida em assembleia geral do sindicato na quinta-feira (7).

A pauta reúne reivindicações salariais e de carreira. Entre os pontos apresentados pelo Sintego estão o plano de carreira dos administrativos, pagamento de progressões, reajuste do piso salarial dos professores, pagamento da data-base dos administrativos, aplicação do descongela previsto na Lei nº 226/26 e do enquadramento previsto na Lei nº 15.326/26. As demandas indicam que a paralisação não se restringe ao salário imediato, mas envolve a regularização de direitos acumulados.

A Secretaria Municipal de Educação informou que acompanharia o cumprimento da decisão do Tribunal de Justiça de Goiás sobre a greve. O tribunal determinou a manutenção mínima de 70% dos servidores da educação em atividade, especialmente na educação infantil e na alimentação escolar, além da apresentação de plano de continuidade das atividades em até 24 horas.

A decisão também proibiu atos que impeçam o funcionamento das escolas ou o acesso a prédios públicos, sob pena de multa diária. A SME afirmou que segue aberta ao diálogo e que a prioridade é garantir aulas e atendimento aos estudantes. A tensão entre o direito de greve e a exigência de continuidade do serviço público, portanto, passou a marcar o primeiro dia de paralisação.

Para os trabalhadores, a greve aparece como resposta à demora no atendimento de pautas antigas. Progressões, data-base e enquadramentos são mecanismos que impactam diretamente a remuneração e a trajetória funcional. Quando esses pontos ficam pendentes, professores e servidores administrativos acumulam perdas e incertezas. A adesão de milhares de trabalhadores revela insatisfação ampla dentro da rede municipal.

O impacto sobre 23 mil alunos também mostra o tamanho do conflito. A paralisação atinge famílias que dependem das escolas, em especial da educação infantil e da alimentação escolar. Ao mesmo tempo, a permanência de secretarias abertas e o funcionamento parcial de parte das unidades indicam tentativa do sindicato de manter algum atendimento à comunidade enquanto pressiona a prefeitura.

A greve em Goiânia expõe a disputa entre servidores que cobram valorização e uma administração que tenta limitar os efeitos da paralisação por meio de decisão judicial. Sem acordo, a rede municipal entra em período de instabilidade. A solução dependerá de negociação concreta sobre carreira, piso, progressões e direitos congelados, e não apenas de medidas para manter parte das escolas funcionando.

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