Driss Mrani

Fundador e presidente do Movimento Progressista Marroquino, que visa promover princípios progressistas no Marrocos derrubando a monarquia totalitária que serve ao imperialismo e, então, estabelecer uma república democrática na qual todos os segmentos do povo marroquino participem sem descriminação

Coluna

O regime marroquino e a exportação do caos para a Europa

Tornou-se evidente que o regime marroquino utiliza a imigração irregular como instrumento de pressão contra a Europa

O regime monárquico marroquino já não se contenta em sufocar o povo dentro de suas fronteiras; passou também a exportar suas crises, seu fracasso e sua corrupção para a própria Europa. O sistema que governa o Marrocos há décadas com mão de ferro não conseguiu construir uma economia justa nem um Estado democrático. Em vez disso, produziu pobreza, repressão e desespero — e depois transformou as consequências dessa catástrofe em instrumentos de chantagem política contra a União Europeia.

Uma monarquia afundada em clientelismo e corrupção

Enquanto milhões de marroquinos vivem sob desemprego, alto custo de vida e colapso dos serviços básicos, a riqueza continua concentrada em torno do palácio real e das redes de privilégios ligadas a ele. O regime marroquino não construiu uma economia nacional sólida, mas sim um sistema baseado em privilégios e monopólios controlados por uma minoria favorecida, enquanto a maioria é abandonada à pobreza, à emigração e ao desespero.

Hoje, a juventude marroquina não foge para a Europa em busca de um “sonho europeu”, mas para escapar de um inferno político e social criado por um regime que perdeu qualquer legitimidade moral e popular.

Tornou-se evidente que o regime marroquino utiliza a imigração irregular como instrumento de pressão contra a Europa. Sempre que quer pressionar Madri, Paris ou Bruxelas, as fronteiras parecem se abrir repentinamente, e a costa marroquina se transforma em corredor de passagem em massa.

O Makhzen não combate a imigração; ele a explora política e financeiramente. Recebe bilhões de euros sob o pretexto de “proteger fronteiras”, enquanto barcos da morte continuam levando jovens marroquinos e africanos ao fundo do mar todos os dias.

Apesar dos discursos oficiais sobre “desenvolvimento”, o Marrocos transformou-se, sob o domínio monárquico, em um dos grandes centros de produção e exportação de cannabis e drogas para a Europa. Todos sabem que esse comércio não poderia continuar nessa escala sem a proteção de redes influentes dentro do próprio Estado.

Enquanto regiões pobres são esmagadas pelo abandono e pela marginalização, o cultivo de drogas é deixado como única alternativa econômica para milhares de famílias — e depois as consequências disso são usadas como moeda de troca nas negociações com os europeus sobre segurança e imigração.

Qualquer pessoa que levante a voz contra a corrupção ou o autoritarismo enfrenta uma máquina repressiva brutal: jornalistas presos, opositores vigiados e ativistas alvo de campanhas de difamação e perseguições políticas.

Ao mesmo tempo, o regime gasta milhões com empresas de lobby e relações públicas na Europa para vender uma imagem falsa de “Marrocos moderno” e de “estabilidade”.

Que estabilidade é essa, quando os jovens fogem pelo mar?

Que modelo é esse, quando as prisões estão cheias de vozes livres?

O regime marroquino deixou de ser apenas um problema para o povo marroquino; tornou-se também uma fonte de instabilidade regional exportada para a Europa através da imigração, das drogas e das crises sociais. É um sistema que sobrevive da chantagem política e da transformação do sofrimento popular em acordos com o exterior.

Enquanto o poder continuar baseado em repressão, saque de riquezas e concentração absoluta de autoridade, o Marrocos continuará sangrando — e milhares de jovens continuarão vendo o mar como mais misericordioso do que uma pátria sequestrada.

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