A Câmara Municipal de São Paulo aprovou a criação de uma Frente Parlamentar Brasil-“Israel”, apresentada como uma iniciativa para estreitar relações econômicas e institucionais entre a capital paulista e o Estado sionista. Sob o discurso de “empreendedorismo”, “inovação” e “parcerias”, a proposta da vereadora Cris Monteiro surge, na prática, como mais um instrumento político voltado à repressão de críticos de “Israel” e à criminalização da solidariedade ao povo palestino.
A iniciativa pouco dialoga com os problemas concretos da população paulistana e com o interesse dos brasileiros. Em uma cidade marcada pelo completo abandono do poder público, a criação de uma frente parlamentar dedicada especificamente aos interesses de “Israel” é prioridade apenas de um setor político alinhado ao lobby sionista internacional.
A iniciativa repete o movimento já observado no Congresso Nacional, onde foi criada uma bancada Brasil-“Israel” composta por centenas de parlamentares. A expansão dessas articulações ocorre justamente no momento em que o regime sionista enfrenta crescente crise interna e isolamento.
Sob o disfarce de “cooperação internacional”, a frente parlamentar tende a funcionar como mecanismo institucional para ampliar a perseguição contra organizações, partidos e ativistas que denunciam os crimes de “Israel”. O histórico recente da própria vereadora responsável pela proposta deixa isso evidente.
Cris Monteiro e a máquina de perseguição política em defesa de “Israel”
Nos últimos anos, Cris Monteiro transformou-se em uma das principais representantes do lobby sionista dentro da política paulistana. Sua atuação foi marcada por sucessivas tentativas de censura, intimidação e criminalização de manifestações pró-Palestina e de organizações que denunciam o genocídio promovido pelo Estado israelense.
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu após a convocação de um ato organizado pelo Partido da Causa Operária (PCO) e pelo Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal) em homenagem à resistência palestina e ao segundo aniversário da Operação Dilúvio de Al-Aqsa, de 7 de outubro de 2023. O evento desencadeou uma campanha coordenada de ataques da imprensa burguesa e de setores ligados ao sionismo.
A vereadora acionou o Ministério Público para pedir investigação contra o ato, alegando suposto estímulo ao “extremismo” e à “intolerância”. Na prática, tratava-se de uma tentativa explícita de impedir uma manifestação política em defesa da resistência palestina. Sob pressão da campanha conduzida por parlamentares, organizações ligadas ao imperialismo e setores da imprensa, a Academia Paulista de Letras cancelou o espaço que havia sido reservado para a atividade.
A ofensiva contra o PCO não se limitou a esse episódio. Reportagens caluniosas buscaram associar o partido ao terrorismo, enquanto declarações políticas em defesa da luta armada palestina passaram a ser tratadas como caso de polícia. O objetivo era claro: criar um ambiente de perseguição política contra qualquer setor que desafie a narrativa oficial pró-“Israel”.
Ao mesmo tempo, Cris Monteiro intensificou ações de censura direta contra manifestações públicas de apoio à Palestina em São Paulo. Segundo denúncias publicadas pela imprensa, a vereadora encaminhou dezenas de ofícios à prefeitura exigindo a remoção de grafites, cartazes, pichações e manifestações contendo frases como “Palestina Livre”, “Paz” ou críticas ao massacre em Gaza.
Em diversos casos, mensagens denunciando que “Israel mata crianças” foram classificadas como “antissemitismo” pela parlamentar. A prefeitura de Ricardo Nunes atendeu parte significativa dessas demandas, mobilizando estruturas de zeladoria urbana e Guarda Civil Metropolitana para apagar mensagens políticas pró-Palestina.
A perseguição chegou ao ponto de envolver pichações em banheiros de bares, adesivos em placas de rua e grafites em imóveis particulares. Em um festival cultural promovido pela própria prefeitura, o som de uma banda chegou a ser cortado após a projeção da frase “Palestina Livre” durante uma apresentação.
A seletividade política dessas ações ficou evidente. Em uma cidade repleta de pichações e manifestações urbanas de todos os tipos, a repressão concentrou-se especificamente em mensagens relacionadas à Palestina e às denúncias contra “Israel”.
A própria trajetória política de Cris Monteiro evidencia sua aproximação com organizações sionistas. Durante sua campanha eleitoral, a vereadora fortaleceu relações com entidades como a Federação Israelita e homenageou dirigentes ligados ao lobby pró-“Israel”. Entre eles, André Lajst, presidente da StandWithUs Brasil, organização que atua internacionalmente na propaganda do Estado israelense e na repressão a movimentos de solidariedade ao povo palestino.
A aproximação não é apenas ideológica, mas também política e financeira. Empresários ligados à comunidade sionista contribuíram diretamente para sua campanha, enquanto a parlamentar passou a atuar como principal voz institucional da criminalização das críticas a “Israel” dentro da Câmara paulistana. Com patrimônio milionário declarado e longa carreira no mercado financeiro internacional, Cris Monteiro representa diretamente os interesses de setores empresariais ligados à direita liberal e ao imperialismo.
A repressão internacional cresce com a crise de “Israel”
A criação da frente parlamentar em São Paulo não pode ser analisada isoladamente. Ela faz parte de um movimento internacional de endurecimento repressivo promovido por governos, organizações sionistas e setores da extrema direita em diversos países.
À medida que “Israel” acumula desgaste internacional em razão das guerras na Palestina e no Líbano, cresce também a tentativa de criminalizar a solidariedade ao povo palestino. O regime israelense enfrenta dificuldades para alcançar objetivos militares decisivos e responde ampliando a destruição indiscriminada de cidades inteiras, bombardeios contra civis e políticas de fome e deslocamento forçado.
No Brasil, esse processo avança rapidamente. A perseguição contra o PCO, o Ibraspal e outras organizações pró-Palestina mostra que o objetivo não é combater o preconceito religioso, mas impedir qualquer denúncia consequente contra os crimes do Estado israelenses.
A frente parlamentar criada na Câmara de São Paulo deve ser entendida exatamente nesse sentido. Não se trata de uma iniciativa voltada aos interesses da população brasileira. Trata-se da institucionalização de um aparato político de perseguição ideológica alinhado à escalada repressiva promovida internacionalmente em defesa de “Israel”.





