Trabalhadores da saúde realizaram ato em frente ao Hospital Conceição, em Porto Alegre, na terça-feira (28), por valorização salarial e defesa de direitos. A mobilização foi convocada pelo Sindisaúde-RS e ocorreu em meio às negociações coletivas com o SINDIHOSPA, entidade patronal que representa hospitais e clínicas da capital gaúcha.
Os trabalhadores da saúde do Rio Grande do Sul foram às ruas para cobrar reajuste, recuperação de perdas e melhores condições de trabalho. O ato convocado para a frente ao Hospital Conceição ocorreu das 11h às 14h, e buscou pressionar as negociações da campanha salarial de 2026. A entidade afirmou que era hora de transformar indignação em luta e mostrar a força da categoria nas ruas.
A pauta econômica aprovada em assembleia reivindica 3,77% de reposição pelo INPC, 12% de recuperação de perdas salariais e 5% de aumento real. Segundo o sindicato, a categoria enfrenta há mais de cinco anos a ausência de aumento real de salário, recebendo reajustes que não acompanham o custo de vida nem a realidade econômica do País.
O centro da mobilização é simples: os trabalhadores que sustentam o funcionamento dos hospitais não aceitam continuar pagando a conta da desvalorização salarial. Enfermeiros, técnicos, auxiliares, trabalhadores administrativos, equipes de apoio e demais categorias da saúde mantêm serviços essenciais sob pressão permanente, mas veem seus salários corroídos enquanto as instituições seguem exigindo produtividade e funcionamento contínuo.
A escolha do Hospital Conceição como ponto de concentração também tem peso político. O GHC é uma referência importante em Porto Alegre e concentra grande número de trabalhadores. Um ato em frente ao hospital dá visibilidade à reivindicação e pressiona as direções patronais e o poder público. Na prática, a mobilização mostra que a campanha salarial não pode ficar restrita a mesas de negociação fechadas.
A reivindicação de 20% de reajuste, composta pela reposição, perdas e aumento real, foi apresentada como necessária para recompor o poder de compra. Não se trata de privilégio, mas de tentativa de recuperar parte do que foi retirado pela inflação e pela política de congelamento real dos salários. A categoria denuncia que, sem aumento real, o trabalhador empobrece mesmo continuando empregado.
O ato também insere a luta salarial no conjunto da defesa de direitos. A campanha não envolve apenas números, mas a relação entre trabalhadores e patrões em hospitais e clínicas. Quando salários são comprimidos, a consequência se reflete no desgaste, no acúmulo de tarefas, no adoecimento e na dificuldade de manter equipes estáveis.
A mobilização do Sindisaúde-RS mostra que a categoria busca enfrentar esse quadro pela organização coletiva. Diante da resistência patronal, os trabalhadores da saúde afirmam que a valorização não virá por concessão espontânea, mas por pressão.





