Os profissionais da educação municipal de São Paulo decretaram greve por tempo indeterminado na terça-feira (28) após assembleia da categoria. A paralisação foi aprovada em resposta à ausência de atendimento às reivindicações salariais, funcionais, de organização das escolas, saúde, segurança e defesa da educação pública.
A greve foi deflagrada após uma sequência de reuniões sem resposta efetiva do governo municipal. A pauta da categoria, organizada pela Coeduc, que reúne Sinpeem, Sedin e Sinesp, havia sido protocolada em novembro de 2025 e reapresentada em fevereiro de 2026. Mesmo após vários encontros com representantes da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria Municipal de Gestão, as entidades afirmaram que não houve retorno concreto para as reivindicações.
Entre os pontos centrais está a questão salarial. A categoria reivindica reajuste geral em maio, data-base dos profissionais da educação, para ativos e aposentados, em índice não inferior a 5,4%, aplicado sobre o piso nacional docente, acrescido de 10% de aumento real. Também pede a incorporação dos abonos complementares dos pisos de docentes, gestores e trabalhadores do Quadro de Apoio.
A pauta também inclui a manutenção da política de salário por remuneração, com vencimento padrão acrescido das vantagens permanentes, como quinquênios, sexta parte, evolução, progressão e promoção. As entidades rejeitam o regime de remuneração por subsídio, pago em parcela única, sem adicionais. Pedem ainda a antecipação do reajuste de 2,55% relativo à data-base de 2025, com efeito retroativo a maio daquele ano.
No campo funcional, os profissionais cobram a revogação da Lei nº 18.221/2024, o fim do confisco previdenciário, o pagamento retroativo de quinquênios e sexta parte, respeito às carreiras e redução do desconto previdenciário de 14% para 11%. Também defendem a manutenção de professores readaptados na Jornada Especial Integral de Formação, especialmente após decisão judicial que anulou restrições impostas pela Secretaria Municipal de Educação.
A organização das escolas aparece como outro eixo importante. A categoria cobra concursos públicos para agentes escolares, assistentes técnicos de educação, docentes e gestores, além da convocação de aprovados e ampliação dos módulos profissionais para atender bebês, crianças, jovens e adultos. A recomposição dos quadros é apresentada como condição para o funcionamento adequado das unidades e para reduzir a sobrecarga dos trabalhadores.
Na educação inclusiva, a Coeduc reivindica redução do número de matrículas por turma a partir das Emeis, presença de auxiliares de vida escolar e profissionais de apoio em todas as unidades, garantia dos direitos de aprendizagem e referência de profissional da Secretaria de Saúde nas escolas. Também cobra reformas imediatas em unidades com problemas de infraestrutura, como elevadores quebrados, falta de acessibilidade, portas e janelas danificadas, ventilação inadequada e ausência de materiais básicos de higiene e limpeza.
Na educação infantil, as entidades pedem atendimento prioritário pela rede direta, devolução de prédios públicos, fim da rede parceira, fim das privatizações e terceirizações, ampliação de CEIs, Emeis e Cemeis da rede direta e reabertura de turmas. A pauta inclui ainda gestão democrática das escolas, melhores condições de trabalho, políticas de prevenção e assistência à saúde física e mental e redução da jornada do Quadro de Apoio.


