O jornal Metrópoles, há duas semanas, publicou uma matéria informando que o jornal paulistano O Estado de São Paulo captou R$ 142,5 milhões de bancos, empresas e empresários em operações realizadas em 2024. R$ 45 milhões foram dos três maiores bancos privados do Brasil, Itaú, Santander e Bradesco – R$ 15 milhões de cada.
Uma empresa privada que chama atenção, entre os financiadores do grande jornal da burguesia paulista, é a maior empresa de plano de saúde da América Latina, Hapvida. O levantamento do Metrópoles mostra que o Estadão captou dessa única empresa em 2024, R$ 15 milhões.
De acordo com a Revista Piauí, em uma ampla matéria sobre esse setor no País, em 2024 os planos de saúde no Brasil registraram um lucro na ordem de R$ 10 bilhões, cinco vezes mais que no ano anterior. A Hapvida e a NotreDame Intermédica, que pertencem a um mesmo grupo, somaram lucro de 1,6 bilhão de reais.
Segundo a Revista Piauí, através do programa “Desenrola Brasil” do governo federal, o plano de saúde Hapvida teria conseguido o perdão de sua dívida de R$ 866 milhões com o SUS (Sistema Único de Saúde). O aumento dos lucros são resultados do “aumento de mensalidades dos planos, a redução da rede assistencial e o corte de benefícios – com destaque para os cancelamentos unilaterais –, que permitem às empresas se livrarem de clientes que dão prejuízo.”
Esse montante de R$ 866 milhões, se fosse pago ao SUS, poderia equipar dezenas de hospitais, custear milhares de cirurgias e, de fato, salvar inúmeras vidas, cumprindo o papel social do sistema. Ao ser perdoada dívida, esse dinheiro se transforma em subsídio indireto do Estado ao lucro privado, evidenciando que a crise do SUS não é de falta de dinheiro.
“Os dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) também mostram que as empresas estão gastando cada vez menos com reembolsos. Em 2022, correspondiam a 6,1% das despesas assistenciais. No ano passado, caíram para 4,6%. Outro motivo é a dívida que as operadoras de saúde espetam na conta do SUS. Ou seja: despacham seus usuários para o sistema público e não reembolsam o sistema pelos gastos, conforme prevê a lei.” Destaca a reportagem da Revista Piauí.
Como quem paga a banda escolhe a música, o Estadão, como um bom jornal venal, não fala absolutamente nada sobre toda essa falcatrua dos planos de saúde contra a população brasileira. Muito pelo contrário, em uma busca rápida envolvendo a Hapvida no jornal burguês, o que temos são verdadeiros elogios e, de certa forma, propagandas para que mais pessoas se tornem clientes da empresa.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, durante participação no 28º Congresso da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde), em São Paulo, afirmou que a decisão que autoriza medicamentos de alto custo pode prejudicar outros pacientes. “Quando, por exemplo, se dá uma decisão para fornecer um medicamento que custa R$ 5 milhões e atende uma pessoa, isso desfoca outra demanda da saúde pública” afirmou o ministro.
O que podemos perceber diante dos fatos é que há um conluio entre imprensa venal, planos de saúde – que roubam os mensalistas e ainda assalta os cofres públicos. A conduta de Barroso mostra que existe o aval do Supremo Tribunal Federal, que se importa com o valor de medicamentos e não com a vida das pessoas. Estão todos unidos contra a população.





