A direção da General Motors de São José dos Campos demitiu, na sexta-feira (17), o cipeiro Nilson Araya, conhecido como Chileno, do setor de Estamparia, em mais um episódio que evidencia as práticas antissindicais da empresa. A demissão de um representante eleito pelos trabalhadores na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) é um ataque direto à organização dos trabalhadores no interior da fábrica, e vem em um momento de tensão entre a categoria e a montadora, com os metalúrgicos tendo aprovado recentemente aviso de greve em razão de impasse na negociação da Participação nos Lucros e Resultados.
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região condenou a medida e afirmou que adotará as providências cabíveis para reverter a demissão. Segundo a entidade, a dispensa de Chileno fere a livre organização no ambiente de trabalho. O cipeiro exercia papel fundamental na defesa das condições de saúde e segurança dentro da planta, sendo reconhecido pelos colegas por sua atuação na representação dos trabalhadores.
A CIPA é um organismo previsto em lei cuja função é identificar riscos, propor medidas preventivas e acompanhar as condições de trabalho nas empresas. Seus integrantes possuem estabilidade no emprego durante o mandato, justamente para que possam exercer suas funções sem a ameaça de retaliação patronal. A demissão de Chileno, portanto, configura não apenas uma agressão ao trabalhador individualmente, mas um desrespeito à legislação trabalhista e à representação coletiva da categoria.
Os metalúrgicos da GM em São José dos Campos aprovaram aviso de greve em assembleia nesta semana, após a empresa sinalizar que pretendia modificar um acordo fechado no ano anterior que previa o pagamento de R$20.780 a título de Participação nos Lucros e Resultados em 2026. A GM, que lucra bilhões com a exploração do trabalho dos metalúrgicos brasileiros, tenta agora renegociar para baixo o que já havia sido acordado, e usa a demissão do cipeiro como instrumento de intimidação da categoria em plena negociação.





