Fontes ligadas ao Estado de “Israel” indicam que o resultado de uma guerra contra o Irã enfraqueceu as perspectivas de novas normalizações entre a entidade sionista e países árabes, particularmente no Golfo, segundo uma reportagem do jornal israelense Yedioth Ahronoth.
Altos funcionários israelenses acreditam, segundo a reportagem, que a trajetória atual da guerra reduz a probabilidade de ampliação dos acordos de normalização, ao menos no curto prazo.
De acordo com a reportagem, tais autoridades consideram que os países do Golfo podem agora se inclinar a um maior engajamento com o Irã e a Turquia, movidos não por alinhamento político, mas por considerações de segurança e pelas realidades regionais.
Uma reportagem do Financial Times na semana passada observou que os países do Golfo, inclusive a Arábia Saudita, sentem que foram arrastados para uma guerra que inicialmente procuraram evitar, ao mesmo tempo em que agora enfrentam riscos diretos à segurança decorrentes de uma retaliação iraniana.
Embora continue considerando o Irã uma “ameaça estratégica” e apoie esforços para limitar suas capacidades de mísseis e veículos aéreos não tripulados (VANTs), segundo a reportagem, o reino teria se oposto a ações que pudessem desencadear uma escalada descontrolada, como ataques à infraestrutura energética ou tentativas de mudança de regime.
A reportagem destaca os Emirados Árabes Unidos como um caso distinto, observando que a coordenação de segurança e o alinhamento estratégico entre o país e “Israel” teriam sido fortalecidos durante a guerra.
Segundo a fonte, os países do Golfo se engajaram em particular com os Estados Unidos, pedindo a continuidade da pressão sobre o Irã. Publicamente, no entanto, mantiveram uma posição cautelosa e contida. Eles teria avaliado que a guerra permaneceria sem solução e potencialmente aberta por tempo indeterminado e temeram retaliações caso se alinhassem abertamente com “Israel” e os Estados Unidos. Como resultado, alguns países optaram pela neutralidade, vendo-a como uma aposta mais segura diante do Irã.
A reportagem reflete uma preocupação crescente em “Israel” de que o impacto regional da guerra possa reformular os cálculos estratégicos do Golfo, desacelerando o impulso de normalização enquanto aumenta o engajamento indireto com múltiplas potências regionais.
Após semanas de agressão norte-americana e israelense contra o Irã desencadearem uma onda de ataques retaliatórios por toda a região, os países árabes do Golfo estão enfrentando um quadro de segurança transformado após o anúncio de um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, informou o New York Times.
Segundo a reportagem, a guerra destruiu antigas suposições dos governos do Golfo de que sua riqueza e suas parcerias estratégicas, especialmente com os Estados Unidos, os protegeriam de um confronto direto. Em vez disso, operações iranianas com mísseis e VANTs alcançaram em profundidade países que abrigam bases militares norte-americanas.
A resposta do Irã teve como alvo, em grande parte, ativos ligados aos Estados Unidos e a “Israel” por toda a região, inclusive instalações militares e infraestrutura vinculadas à presença norte-americana, como parte de sua retaliação após a agressão norte-americana e israelense de 28 de fevereiro contra território iraniano.
As consequências deixaram os países do Golfo diante de danos materiais e pressão econômica, com exportações de energia interrompidas e a incerteza em torno do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, continuando a pesar sobre as perspectivas.





