O encerramento inconclusivo das negociações em Islamabad, no Paquistão, no último domingo (12), colocou no centro do debate o estoque de urânio enriquecido a 60% da República Islâmica do Irã, uma das principais barreira para um possível cessar-fogo. A exigência da delegação norte-americana pela retirada total desse material do território iraniano, somada a uma moratória de 20 anos em novas pesquisas de enriquecimento, foi classificada pela equipe negociadora do Irã como uma tentativa de rendição humilhante. Para o Irã, a manutenção do nível de enriquecimento a 60% não representa apenas uma conquista científica, mas uma salvaguarda de soberania e um instrumento de dissuasão estratégica que impede o avanço de uma ocupação terrestre pelo imperialismo e por “Israel”.
A exigência norte-americana de retirada desse material visa desmoralizar a soberania iraniana. O Irã compreende que o controle sobre o ciclo completo do combustível nuclear é o que garante ao país sua independência tecnológica frente às sanções internacionais. Aceitar a demanda imperialista significaria, na prática, o retrocesso de décadas de desenvolvimento e a entrega do principal trunfo que obriga o imperialismo a manter o conflito no nível de escaramuças aéreas e bombardeios distantes, evitando uma invasão direta. As exigências ainda ignoram que o Irã saiu fortalecido da última rodada de enfrentamentos, mantendo sua infraestrutura de produção ativa enquanto neutralizava radares e sistemas de defesa inimigos. Portanto, a “linha vermelha” do Irã é um cálculo de sobrevivência: sem o urânio enriquecido, o país perderia o que hoje torna o custo de uma invasão terrestre proibitivo para os Estados Unidos.
O prazo de 20 anos estipulado pela delegação dos Estados Unidos funciona, na prática, como uma barreira ao avanço industrial e científico. O imperialismo busca congelar a capacidade de inovação iraniana por duas décadas, impedindo que o país utilize sua infraestrutura nuclear para fins civis, médicos e energéticos de forma independente.
Dados científicos fundamentam essa posição, uma vez que o urânio enriquecido a esse nível é essencial para a produção de isótopos médicos, como o Molibdênio-99, utilizado em diagnósticos por imagem e tratamentos avançados de câncer. Some-se a isso o controle irresponsável do imperialismo sobre as rotas de comércio e insumos farmacêuticos, bem como as criminosas sanções em vigor desde 1979, e a produção interna se torna uma questão de vida ou morte para a população. Ao dominar o ciclo completo de sua produção industrial, o Irã assegura que seu sistema de saúde não seja refém do imperialismo, que utiliza o bloqueio de insumos como ferramenta de pressão diplomática.
Para o Irã, a retirada do urânio a 60% sob supervisão estrangeira representaria a entrega de seu principal trunfo de negociação sem receber garantias reais de segurança em troca. A “linha vermelha” estabelecida pela República Islâmica é baseada na compreensão de que a soberania nacional não é negociável, especialmente sob a pressão de demandas que o imperialismo não tem força para sustentar militarmente.
Antes da Revolução de 1979, o Irã ocupava uma posição de submissão total onde a maioria da população vivia na miséria. A exigência imperialista de que o Irã abra mão de sua tecnologia nuclear é uma tentativa de devolver o país a esse estado de atraso econômico, retirando dele as ferramentas que garantem o bem-estar social diante do cerco norte-americano.





