De acordo com um levantamento feito pelo Globo, o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes recebeu dez vezes mais que outras bancas de advocacia para defender o Banco Master em 2025. Segundo o jornal, o Master contratou os serviços de 61 escritórios no ano passado, ao custo de R$ 265 milhões.
O maior montante foi repassado ao escritório Barci de Moraes no mesmo ano: R$ 40,1 milhões. O valor pago ao escritório é R$ 13 milhões a mais do que o segundo escritório que mais recebeu recursos do banco. O contrato foi fechado em 2024 e previa pagamentos que, no total, somavam R$ 129 milhões em três anos, segundo a colunista Malu Gaspar.
O segundo escritório que mais recebeu recursos do banco foi o Warde Advogados, que recebeu R$ 27 milhões. A banca é liderada pelo advogado Walfrido Warde, que esteve à frente da defesa de Vorcaro até o início do ano. O levantamento foi feito levando em consideração CNPJs registrados na categoria de “Serviços Advocatícios” na Receita.
Em março de 2026, o escritório da esposa de Moraes informou que realizou 94 reuniões de trabalho, 79 delas presenciais na sede do Master, e que montou uma equipe de 15 advogados e mais três consultorias especializadas. O escritório afirmou ter fornecido “consultoria e atuação jurídica” e destacou que “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF”.
Uma comparação feita pelo jornal Infomoney mostra que o escritório Rueda Advogados Associados, do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, recebeu R$ 1 milhão no mesmo período. Em nota, Rueda afirmou que fez “dezenas de pareceres e centenas de reuniões, incluindo mais de 1.000 audiências, cerca de 20 mil protocolos e aproximadamente 400 acordos”.
Documentos investigados pela CPI indicam que Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes realizaram ao menos oito voos em aeronaves particulares vinculadas a empresas ligadas a Daniel Vorcaro entre maio e outubro de 2025. Em uma das ocasiões, o ministro teria voado de Brasília a São Paulo em um avião ligado ao banqueiro e se encontrado com ele no dia seguinte.
O gabinete de Alexandre de Moraes afirmou que o ministro “nunca viajou em avião pertencente a Daniel Vorcaro ou em sua empresa”, mas não abordou a possibilidade de voos em aeronaves de empresas associadas a Vorcaro, nem negou o suposto encontro.
O escritório Barci de Moraes, por sua vez, inicialmente afirmou que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente”, para depois esclarecer que contrata serviços de táxi aéreo e que os custos são “abatidos dos honorários advocatícios nos termos contratuais”.





