A região de Tillabéri, no oeste do Níger, é palco desde 2025 de uma matança de civis a mando do imperialismo. Relatório de ONG imperialista, ACLED, aponta 1200 mortes na região, admitindo que a maioria é causada por milícias contrárias ao governo, que se tornaram ativas principalmente após o golpe nacionalista.
Os principais responsáveis pela escalada de ataques a civis são grupos armados como o Estado Islâmico na Província do Sahel e o Jama’at Nusrat al Islam wal Muslimin, organizações apresentadas formalmente como movimentos jihadistas, mas que, no interior da crise saheliana, atuam de maneira objetiva em favor da desestabilização de governos que romperam ou reduziram os laços coloniais com o imperialismo.
Tillabéri cerca o distrito da capital, Niamey, e ocupa posição estratégica porque conecta diferentes áreas de conflito, como a região de Liptako-Gourma e o complexo W-Arly-Pendjari. É, portanto, uma zona decisiva para qualquer operação que busque desorganizar o Estado nigerino. Moradores da região relatam que os bandos armados matam, saqueiam, roubam rebanhos e extorquem a população local. O departamento de Tera, na fronteira com Burkina Faso, aparece como o mais atingido pela violência recente.
Depois da derrubada do antigo arranjo político em julho de 2023 e da ascensão do general Abdourahamane Tchiani, o Níger passou a seguir um rumo nacionalista, rompendo com a tutela direta das potências ocidentais e reordenando suas alianças militares e diplomáticas. Esse processo atingiu interesses profundos do imperialismo, em especial o francês, historicamente beneficiado por acordos desiguais no acesso ao urânio nigerino e por uma presença militar e política que funcionava como extensão do velho domínio colonial. Nesse quadro, a multiplicação de ataques terroristas não pode ser analisada como fenômeno isolado da luta geopolítica em curso.
Os grupos que operam em Tillabéri cumprem, na prática, um papel de mercenariado político do imperialismo. Ainda que se apresentem sob linguagem religiosa e se apoiem em redes armadas locais e transfronteiriças, sua ação favorece diretamente a tentativa de desestabilizar o governo instalado após a ruptura com o esquema pró-imperialista. Ao impor terror à população civis, fragilizar o controle estatal sobre áreas estratégicas e pressionar militarmente a capital, esses grupos criam as condições para uma ofensiva internacional e regional contra o atual governo, num momento em que o Sahel vive reacomodação de forças com maior margem de autonomia frente ao domínio europeu.
O ataque realizado em 29 de janeiro contra o aeroporto internacional e a base aérea militar em Niamey mostrou a gravidade da situação. A ação, atribuída ao ISSP, foi considerada sem precedentes e teria incluído o uso de drones pela primeira vez em território nigerino. A sofisticação crescente dessas operações reforça a dimensão organizada e politicamente orientada da ofensiva armada. Outro episódio importante ocorreu em 24 de março, quando sete soldados nigerinos foram mortos numa emboscada após perseguirem militantes que haviam atacado a aldeia de Wanni e roubado gado da população local.
Diante desse quadro, o governo nigerino intensificou suas operações de contra-insurgência e decretou mobilização geral em dezembro de 2025, ampliando os meios de resposta contra os grupos armados. Em um cenário de guerra irregular e fronteiras extensas, a ampliação das operações militares aparece como medida de proteção da população e de contenção de uma escalada que ameaça diretamente as massas do país. A cooperação com forças mercenárias russas é parte do esforço do Níger para reorganizar sua defesa depois de expulsar estruturas militares imperialistas.





