Petrobrás

Leilão de gás era manobra para aumentar lucro dos tubarões

Aumentar o preço do gás é uma canalhice, serve apenas para aumentar a lucrativdade dos acionistas, um bando de parasitas que explora as riquezas dos brasileiros

O presidente Lula, com toda razão, criticou severamente o leilão de gás pela Petrobrás, ameaçando cancelar o leilão. Se fosse levado a cabo, isso aumentaria muito os preços do gás para o consumidor, como ocorreu com o diesel com o aumento de 20% nos postos. 

Não fosse a intervenção de Lula, teríamos outra canalhice ou patifaria contra a população já bastante esfoliada pelo sistema capitalista e vivendo com os piores salários já vistos no País. Isso quando consegue encontrar um emprego, que está cada vez mais difícil.

Foi um acerto de Lula classificar publicamente como sendo uma “cretinice e bandidagem” institucional. A empresa levou a leilão um volume de 70 mil toneladas de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), equivalendo cerca de 11% do consumo projetado para o mês de abril, a um preço 117% maior que o autorizado pelo Governo Federal.

Isso aconteceu numa situação em que, desde dezembro de 2024, o governo vinha mantendo os preços congelados para o consumidor final com o intuito de conter a inflação. Com esse leilão, o ágio fez elevar os preços de R$ 33,37 para R$ 72,77 para as distribuidoras, que iriam repassar para o consumidor, uma política criminosa contra os trabalhadores que já pagam muito caro pela crise do capitalismo. Houve relatos de ágio de até 118% no gás de cozinha.

O responsável pelo leilão teria sido a “área técnica” que justificou o aumento ao cenário internacional com a agressão imperialista dos EUA e o Estado sionista de “Israel” contra o Irã, que como medida defensiva, e anunciada por eles, colocaram um pedágio para navegação no Estreito de Hormuz, onde só passam navios de países não alinhados com os agressores imperialistas.

Com isso, ficou bloqueada a comercialização de 20% de todo o petróleo e gás mundiais, o que acarreta queda na produção só comparável à crise de 1929, uma catástrofe, com os preços do barril chegando a 140 dólares e escalando.

Com toda essa crise na Petrobrás, a atual presidente, Magda Chambriard, alegou para o Conselho de Administração que desconhecia esse leilão e trocou, em assembleia emergencial, o presidente do Conselho. Sai Claudio Romeo Schlosser e entra Angélica Laureano em seu lugar a partir de 7 de abril.

A imprensa, igualmente cretina, diz cinicamente que “houve uma interferência direta do presidente Lula na estatal”. Porém, essa é uma de suas atribuições como presidente e responsável pela política energética do país. A Petrobrás é uma estatal federal, mesmo sendo semi privatizada.

Se a Petrobrás vende o gás pelo dobro do preço que custa produzir, com essa estratégia, a do leilão, elevaria ainda mais os preços para o consumidor, trocar um funcionário da “área técnica” foi o mínimo. 

O que o presidente Lula precisa, de fato, é mudar a política de preços e cancelar as privatizações que ocorreram em governos anteriores, tornando de uma vez por todas a Petrobrás 100% estatal e a serviço do povo brasileiro. Isso ajudaria inclusive a obter maior votação nas próximas eleições, o povo reconheceria firmeza em sua gestão.

O Brasil exporta mais petróleo bruto do que importa. O custo de extração no Pré-Sal é pago em reais. Não há por que o custo de produção de um insumo nacional ser ignorado em favor de uma cotação em bolsa de Londres ou Nova Iorque.

O Programa de Parceria de Investimentos tem a mesma política de preços, se baseia nos preços internacionais, mas não considera que o petróleo é produzido internamente com custos nacionais. Isso se torna uma vantagem competitiva com preços menores e aumentando a parcela de mercado; além, é claro, de favorecer o consumidor interno pagando mais barato pelo gás e combustíveis.

Na verdade, essa política de preços internacionais aumentam a arrecadação da Petrobrás com menores volumes de venda e, no final, serão transferidos para os “investidores” estrangeiros, com generosos lucros e dividendos pagos aos proprietários de papéis negociados nas bolsas de valores, a maioria nos países imperialistas, e a conta quem paga é o povo.

No acumulado de 2025 até setembro, a Petrobrás liderou o ranking mundial de pagadores de dividendos, distribuindo R$ 37,3 bilhões aos seus acionistas. Em 6 de novembro de 2025, o Conselho de Administração aprovou mais R$ 12,16 bilhões em proventos intercalares, com pagamentos programados para fevereiro e março de 2026, no valor de R$ 0,47 por ação.

O reflexo desse leilão na ponta final da cadeia é devastador. Um botijão que sai da refinaria a R$ 72,00 chega à casa do cidadão custando por volta de R$ 200, após as margens de distribuição e revenda. Isso é 12% da renda bruta de quem ganha um salário mínimo.

Embora o Brasil produza 70% do óleo diesel e a quase totalidade do seu GLP, continua refém da Política de Paridade de Importação (PPI), que atrela o valor dos combustíveis no Brasil às bolsas de valores internacionais.

Fica provado que a reestatização seria muito benéfica para o povo, já que o Brasil importa muito pouco do petróleo que consome, os preços internos poderiam ser mais baixos e o povo não precisaria cozinhar com lenha por não poder pagar pelo gás.

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