A missão Artemis II iniciou o retorno à Terra depois de completar a passagem ao redor da Lua nesta segunda-feira (6). A tripulação, formada por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, superou a marca da Apollo 13 ao alcançar mais de 252 mil milhas de distância da Terra, em uma viagem de dez dias que serve de teste para futuras missões lunares. A espaçonave Orion foi lançada em 1º de abril e deve aterrissar no Pacífico no fim da missão.
A viagem, no entanto, não transcorreu sem incidentes. Logo no início da missão, um alerta indicou falha no sistema sanitário da cápsula. O banheiro de bordo, um equipamento avaliado em cerca de US$ 30 milhões, apresentou problema de funcionamento, obrigando a tripulação a lidar com restrições no uso do sistema até que o defeito fosse corrigido com apoio do controle da missão. Em reportagens publicadas durante o voo, a imprensa britânica informou que a pane atingiu o sistema de coleta de urina, enquanto o restante do conjunto funcionava de forma limitada até a normalização.
A missão prosseguiu até o contorno da Lua. Durante a manobra, a tripulação passou pelo lado oculto do satélite e enfrentou o apagão temporário de comunicações já previsto para esse trecho da trajetória. Depois disso, a Orion entrou na chamada rota de retorno livre, aproveitando a gravidade lunar para iniciar a volta à Terra. Trata-se de uma repetição, em novas condições tecnológicas, de um tipo de trajetória usado no programa Apollo.
A Artemis II é apresentada pelos Estados Unidos supostamente como preparação para futuras tentativas de estabelecer presença permanente na Lua e, mais adiante, organizar missões rumo a Marte. Não há clareza sobre a viabilidade econômica e técnica para que esses planos sejam alcançados. A própria Nasa associa o programa ao desenvolvimento de infraestrutura, sistemas de suporte à vida e capacidade de permanência prolongada fora da Terra. Esse esforço não pode ser separado do quadro geral da corrida espacial contemporânea, que envolve bilhões de dólares, disputa tecnológica e forte ligação com o complexo militar e industrial norte-americano.
A chamada nova corrida espacial não é apenas uma questão científica. O domínio de foguetes, sistemas orbitais, navegação de longo alcance e controle de operações fora da Terra tem aplicação direta no terreno militar e estratégico. Por isso, a missão norte-americana aparece como parte de uma demonstração de força do imperialismo em meio à sua maior crise.


