São Paulo

Parar as escolas e ocupar as ruas

Como denuncia Sindicato, “na prática, o governo mais uma vez descumpre a lei do piso, e pagará um abono para aqueles profissionais que recebem abaixo do piso".

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) deliberou no mês passado, em assembleia, pela realização de uma greve de dois dias, 9 e 10 de abril, próximos.

A decisão, muito retardada, por conta de vacilações de setores da diretoria e da enorme ditadura que se impôs sobre as escolas, é uma resposta aos duros ataques do governo do Estado contra a educação pública e a carreira dos docentes.

Depois de fazer das atribuições um inferno, deixando dezenas de milhares de professores sem aulas, pisotear a experiência profissional e o Estatuto do Magistério dos docentes paulistas, o governador Tarcísio de Freitas ainda publicou semanas atrás o Decreto 70.483/2026, que dispõe sobre a concessão de abono complementar aos servidores.

Além do valor irrisório de pouco mais de 3% sobre o salário-base dos professores, no mesmo momento em que encaminhou para a ALESP o Projeto de Lei Complementar 226/2026, com reajuste salarial de 10% para os policiais militares e civis, o governo segue a política dos governos tucanos de não reajustar os salários, concedendo apenas um abono que não se incorpora aos vencimentos para fins de aposentadoria e afastamento por licença médica e outros, o que afeta dezenas de milhares de professores. 

Como denuncia o Sindicato, “na prática, o governo mais uma vez descumpre a lei do piso, e pagará um abono para aqueles profissionais que recebem abaixo do piso“.

O Estado mais rico da federação não paga sequer como salário-base, o valor do piso salarial nacional dos professores, estabelecido por Lei, que é de míseros R$5.130,63 – desde janeiro. Muito abaixo, inclusive, do valor que o DIESSE considera como o salário mínimo necessário para um trabalhador (mesmo sem qualificação profissional) que em fevereiro deveria ser de R$7.164,94 (cerca de 40% maior).
O minúsculo piso também fica abaixo até mesmo do salário médio dos servidores públicos com ensino superior e não poderia ser de menos de R$9.000, para atender às necessidades do profissional com qualificação (e necessidade de formação permanente que é o professores) e de sua família.

Além dos salários miseráveis e das demissões, os professores enfrentam um regime de assédio permanente e ditadura nas escolas, cujas gestões são pressionadas pelos governos a cobrarem resultados artificiais e se submeterem a uma plataformização que está destruindo de forma ainda mais acelerada o combalido ensino público paulista. Tudo com o  único objetivo de atender aos interesses dos capitalistas do setor.

Contra essa política criminosa é preciso parar as escolas, colocar milhares de professores nas ruas, na Avenida Paulista, junto com estudantes e trabalhadores, em uma grande manifestação em defesa das reivindicações dos educadores e do ensino público. 

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