Milhares de pessoas se mobilizaram por todo o Iraque neste sábado (4), atendendo ao chamado do líder do Movimento Sadrista, Muqtada al-Sadr, para condenar as agressões contra o Irã em um cenário de crescente indignação regional. O objetivo central dos atos, que reuniram cidadãos de diversas províncias em uma demonstração de solidariedade por horas a fio, foi o repúdio às contínuas operações militares dos Estados Unidos e de “Israel”.
A mobilização no Iraque é o resultado de um longo processo de luta anti-imperialista no país árabe, que está em convulsão desde a invasão genocida dos Estados Unidos em 2003. Em mensagem direta aos manifestantes, Muqtada al-Sadr — a principal liderança guerrilheira dos primeiros anos de invasão — declarou: “agradeço por vossa postura honrosa, que alegra os amigos e enfurece os inimigos”.
A capital iraquiana, Bagdá, foi palco de comícios monumentais, especialmente na Praça Tahrir, que se tornou o epicentro do movimento, enquanto diversas outras províncias registraram atos públicos de forte resistência aos ataques persistentes. A mobilização ocorre em meio às agressões imperialistas e sionistas iniciadas em 28 de fevereiro contra o território iraniano, que foram acompanhadas por incursões repetidas em solo iraquiano, atingindo inclusive zonas residenciais e resultando em dezenas de mártires e centenas de feridos.
O Comitê de Coordenação da Resistência Iraquiana elogiou a firmeza da população em apoio ao Eixo da Resistência e defendeu a aplicação de sanções e medidas punitivas contra países que facilitam as operações militares na região. Em nota oficial, o Comitê afirmou que o alinhamento de governantes da Jordânia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos com os interesses do “inimigo sionista-norte-americano” representa uma traição aos povos livres do Iraque e uma demonstração de “baixesa e vileza”. O grupo enfatizou que a situação exige uma resposta dissuasora firme por parte do governo iraquiano, o que marcaria um rompimento definitivo com a política de concessões que permitiu, por décadas, que o solo árabe fosse usado para atacar nações vizinhas e movimentos de libertação.
A resposta do atual governo de Mohammed Shia al-Sudani, ao autorizar em 24 de março o direito de autodefesa das Forças de Mobilização Popular (FMP) contra ativos estrangeiros, sinaliza que o Iraque não aceita mais o papel de base passiva para o imperialismo, elevando as FMP, nascidas da fátua de Sistani em 2014 contra o Estado Islâmico, ao status de pilar da segurança nacional.
As propostas de retaliação sugeridas pela Resistência são severas e visam paralisar o apoio logístico à ofensiva estrangeira. Elas incluem a punição severa à Jordânia, identificada como ponto de decolagem para aeronaves que atacam as Forças de Mobilização Popular e as forças de segurança iraquianas, além da interrupção total das passagens terrestres com nações colaboracionistas e a suspensão imediata das concessões e subsídios de petróleo iraquiano. Por fim, o Comitê ressaltou que a Resistência tem evitado atingir a infraestrutura e os interesses econômicos do Cuaite, concentrando-se apenas nas bases norte-americanas ali instaladas, enquanto defende a preservação dos interesses do Catar em reconhecimento à postura responsável do país para com a causa palestina.





