Neste quarta-feira (1º), no 33º dia da guerra de agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã, o presidente norte-americano Donald Trump fez um pronunciamento para dizer que a vitória está “muito próxima”, repetindo uma promessa que vem reiterando quase diariamente desde meados de março, sem, contudo, oferecer qualquer cronograma para o fim da guerra.
Trump abriu sua fala dedicando os minutos iniciais a parabenizar a equipe da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA, na sigla em inglês) pelo lançamento da missão Artemis II. “Foi algo incrível”, disse o presidente, detalhando a trajetória do foguete ao redor da Lua. Este também seria o único feito concreto a que o presidente iria se referir durante todo o discurso.
O contraste entre o aparente sucesso tecnológico no espaço e a incerteza no solo tornou-se evidente assim que o tema mudou para o Irã. Ao mesmo tempo em que o presidente afirmava que “os objetivos estratégicos centrais estão próximos da conclusão” e que a marinha e a força aérea iranianas foram “absolutamente destruídas”, a República Islâmica do Irã seguia, por meio de seu Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) infingindo grandes danos à infraestrutura norte-americana. Quase simultaneamente ao encerramento do discurso, o Irã lançava uma nova salva de mísseis contra “Israel” e atingia um navio de gás liquefeito da QatarEnergy.
O discurso de Trump buscou pintar um quadro de controle total, utilizando frases de impacto para reforçar sua suposta posição de força, como quando afirmou que “fez o que nenhum outro presidente estava disposto a fazer” ao corrigir “erros do passado”. No entanto, a organização do discurso revelou contradições que mostram o republicano tateando o escuro.
O presidente justificou a agressão atual alegando que o regime iraniano buscava reconstruir seu programa nuclear em locais secretos — uma afirmação que contradiz diretamente sua própria declaração de junho de 2025, quando assegurou que as instalações iranianas haviam sido “totalmente obliteradas” pela Operação Martelo da Meia-Noite. Ao insistir que a guerra, inicialmente prevista para durar “dias”, agora precisa de “mais duas ou três semanas” para ser concluída, Trump deixou no ar a dúvida se o prazo é uma estimativa militar real ou apenas uma tentativa de ganhar tempo diante de uma opinião pública que, segundo as pesquisas mais recentes, vê o apoio à guerra derreter até mesmo entre sua base.
A imprecisão sobre o que de fato constitui a “vitória” na Operação Fúria Épica apareceu durante toda a segunda metade da exposição, revelando um governo que parece reescrever seus próprios objetivos à medida que o calendário avança. Ao longo dos 33 dias de guerra, Trump apresentou uma sucessão de metas móveis que, no último discurso, soaram mais como uma tentativa de justificar a continuidade das bombas do que como um plano militar coerente. Se em 12 de março os documentos oficiais listavam o fim da ameaça de “proxies terroristas” como um dos quatro pilares da missão, no novo pronunciamento essa meta foi omitida, dando lugar a um discurso de aniquilação total da infraestrutura estatal iraniana.
Trump tentou vender a ideia de uma “limpeza estratégica” de erros cometidos por seus antecessores, mas sua própria equipe parece divergir sobre o que ainda resta a ser destruído. Enquanto o Secretário de Estado, Marco Rubio, aplaudia o presidente e reforçava a necessidade de pulverizar fábricas de armas e a marinha iraniana, analistas militares apontavam que essa mesma marinha já havia sido declarada “inexistente” pelo presidente minutos antes.
O presidente norte-americano chegou a admitir, em uma citação que misturou ameaça e incerteza, que se não houver um acordo nas próximas duas ou três semanas, os Estados Unidos irão atingir “todas e cada uma das usinas geradoras de eletricidade de forma simultânea”. A promessa de levar o país de volta à “Idade da Pedra” indica uma escalada para alvos civis.
A ausência de clareza estendeu-se também ao campo diplomático. Embora o presidente tenha alegado em redes sociais, poucas horas antes do discurso, que o “novo presidente do regime iraniano” havia solicitado um cessar-fogo, ele omitiu qualquer detalhe sobre negociações durante o pronunciamento formal. Essa omissão é particularmente grotesca diante das negativas categóricas do Irã e da confusão do próprio Trump sobre quem comanda o país vizinho, ao referir-se a Masoud Pezeshkian — no poder desde 2024 — como um “novo presidente”.
O isolamento estratégico de Trump também transpareceu quando o presidente dirigiu-se aos aliados que dependem do petróleo do Golfo, cobrando-lhes uma “coragem atrasada” para que eles mesmos garantissem a abertura do Estreito de Ormuz. Ao dizer que os países importadores deveriam “apenas ir lá e tomá-lo”, Trump admite que as operações militares não foram capazes abrir o Estreito de Ormuz.


