Guerra contra o Irã

Trump admite derrota parcial em Ormuz

Presidente norte-americano ordenou aos países europeus que tentassem reverter bloqueio iraniano por conta própria

Nesta terça-feira (31), o presidente norte-americano Donald Trump admitiu tacitamente a incapacidade de suas Forças Armadas reabrir o Estreito de Ormuz no curto prazo. Em uma série de declarações agressivas em sua rede social Truth Social e em entrevistas a bordo do Air Force One, o presidente dos Estados Unidos alterou drasticamente o discurso de uma vitória rápida para uma política de isolacionismo, ordenando que os aliados europeus busquem seu próprio petróleo e assumam a responsabilidade pelo patrulhamento da via marítima. Esta mudança de postura ocorre após mais de um mês de guerra, contrariando a promessa inicial de que a operação militar contra o Irã duraria apenas 48 horas. A realidade no Estreito, onde o Irã mantém o bloqueio efetivo através de minas navais e baterias de mísseis costeiros, forçou o imperialismo a considerar o encerramento das hostilidades mesmo sem atingir o objetivo central de garantir o fluxo global de petróleo.

A desorientação da Casa Branca tornou-se evidente quando Trump atacou nominalmente o Reino Unido e a França, acusando-os de covardia por se recusarem a integrar uma coalizão naval de trinta países proposta pelo Pentágono. O presidente norte-americano afirmou que, como os europeus se negaram a participar da decapitação do regime iraniano, os Estados Unidos não têm mais a obrigação de garantir o abastecimento de combustível de aviação e petróleo para o continente. Trump sugeriu que a Europa agora deve aprender a lutar por si mesma ou comprar o excedente de petróleo produzido nos Estados Unidos, que ele alega ser abundante. O discurso é uma tentativa de mascarar o fracasso operacional em Ormuz, onde a Marinha dos Estados Unidos, apesar de ter destruído diversas embarcações lança-minas iranianas, não conseguiu impedir que o Irã mantivesse a via fechada para navios comerciais vinculados à coalizão agressora.

Relatórios vazados pelo jornal The Wall Street Journal confirmam que Donald Trump já discute com seus conselheiros militares o fim da campanha aérea, sob o argumento de que os principais objetivos, como o enfraquecimento das capacidades de mísseis e da marinha iraniana, já teriam sido atingidos. No entanto, o fechamento persistente do Estreito de Ormuz continua a pressionar a economia global, com o Irã ameaçando elevar o preço do barril de petróleo para cerca de R$1.034,00. A manutenção do bloqueio prejudica diretamente as perspectivas eleitorais de Trump para o Congresso e o Senado, uma vez que o aumento dos custos de energia nos Estados Unidos gera uma inflação interna insustentável.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos iniciaram manobras de emergência para contornar o gargalo energético, desviando parte da produção para oleodutos que ligam os campos de extração a portos no Mar Vermelho e no Golfo de Omã. A estatal saudita Aramco aumentou o fluxo de seu oleoduto Leste-Oeste para a capacidade máxima de sete milhões de barris diários. Entretanto, essas rotas alternativas conseguem escoar menos da metade do volume total que tradicionalmente atravessa Ormuz, deixando países como o Iraque e o Cuaite, que não possuem oleodutos semelhantes, em uma situação de vulnerabilidade extrema, sendo forçados a reduzir drasticamente sua produção de petróleo bruto.

O isolamento diplomático de Trump agravou-se com a recusa da França em permitir que aviões carregados com suprimentos militares norte-americanos rumo a “Israel” sobrevoassem seu território. A Itália também negou o uso de suas bases aéreas para ataques diretos contra o Irã, enquanto a Polônia rejeitou informalmente o pedido para enviar baterias de mísseis Patriot para o oeste asiático. Essa fragmentação da aliança imperialista é interpretada pela inteligência iraniana como uma vitória estratégica, comprovando que o custo político e militar da guerra é considerado inaceitável para a maioria dos governos europeus. A queda de aeronaves de vigilância avançada, como o E-3 Sentry, avaliado em R$ 1,4 bilhão, serviu como um lembrete da eficácia das defesas antiaéreas iranianas e do alto preço tecnológico pago pelos Estados Unidos.

A declaração de Trump de que o Irã foi essencialmente “dizimado” e que não resta praticamente nada para atacar contrasta com o fato de que o regime de Teerã continua a ditar as regras de navegação no Golfo Pérsico. O anúncio de uma possível retirada em duas ou três semanas, mesmo sem um acordo de cessar-fogo formalizado, já indica uma derrota parcial. O reconhecimento de que o Estreito de Ormuz pode permanecer fechado mesmo após a saída das tropas norte-americanas representa o colapso da doutrina de dominação imperialista na região.

Caso os Estados Unidos confirmem a saída sem a reabertura da via marítima, o Irã poderá estabelecer um sistema de controle de tráfego que tornará o país ainda mais poderoso e rico no pós-guerra, operando o estreito como uma zona de cobrança e influência política.

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