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O fracasso de Trump por ele mesmo

DCO faz levantamento de declarações contraditórias e vexatórias do presidente dos Estados Unidos, mostrando sua total desorientação

Nem mesmo a imprensa imperialista faz muita questão de esconder que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não faz a menor ideia do que fazer em meio à guerra contra a República Islâmica do Irã. Um levantamento exclusivo do Diário Causa Operária (DCO) reuniu mais de duas dezenas de declarações contraditórias e vexatórias do presidente, que revela sua desorientação.

No dia 27 de fevereiro, Donald Trump, afirmou que a República Islâmica “acabou de assassinar dezenas de milhares de seu próprio povo”, sendo que mesmo os dados inflados pelos organismos internacionais apontam centenas de supostos mortos pela repressão estatal. No dia seguinte, enquanto bombardeava a população iraniana, ele afirmou: “a hora da sua liberdade chegou”. Trump ainda declarou: “assumam o seu governo — ele será seu para assumir”. Ainda no mesmo dia, o presidente norte-americano lançou um ultimato aos membros do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), prometendo: “vocês serão tratados com justiça e imunidade total, ou enfrentarão a morte certa”.

Em mais de um mês de guerra, não houve uma única manifestação popular em defesa dos norte-americanos, nem mesmo contra o regime iraniano. Pelo contrário: o que houve foram algumas das maiores mobilizações já vistas na região em protesto contra o martírio do Aiatolá Saied Ali Khamenei. Além disso, enquanto o CGRI não registrou uma única deserção, um dos principais homens do aparato bélico norte-americano, Joe Kent, pediu demissão.

No dia 1º de março, Trump afirmou que “o restante do Oriente Médio está do nosso lado”, apesar de protestos massivos e notas de preocupação emitidas por aliados tradicionais na região. Nos dias seguintes, o que se viu foram manifestações em favor do Irã em vários países. No Barém, a população está à beira de uma insurreição.

No dia 2 de março, Trump afirmou que a guerra poderia durar quatro ou cinco semanas — estimativa que surpreendeu a imprensa, que esperava uma operação muito mais rápida. Fato é que, passadas quatro semanas, não há perspectiva do fim da guerra. No dia 3 de março, após quatro dias de guerra, Trump declarou vitória, afirmando que “a defesa aérea, a força aérea, a marinha e a liderança deles acabaram”. Horas depois, o próprio governo confirmou ataques iranianos contra suas bases no Oriente Médio.

Pouco depois, sem demonstrar qualquer prova, Trump afirmou sobre os iranianos: “eles querem conversar. Eu disse: ‘Tarde demais!'”. Em 7 de março, comprovando que havia mentido sobre a destruição da marinha iraniana, prometeu que a frota persa seria “totalmente, novamente, obliterada”.

Em 16 de março, Trump declarou, novamente sem apresentar qualquer evidência, que “a maioria dos mísseis do Irã está fora de combate”, ignorando o fato de que veículos aéreos não tripulados (VANTs) e mísseis continuavam atingindo infraestruturas no Golfo. Dias depois, o CGRI revelou que seguia fabricando mísseis, mesmo em tempos de guerra.

Em 21 de março, ele lançou um ultimato público de “48 horas para o Irã abrir o Estreito [de Ormuz] ou os EUA irão obliterar suas usinas de energia”. Passada uma semana, não há qualquer indício de que o Irã irá perder o controle do Estreito.

Dois dias depois, Trump minimizou a duração do conflito ao afirmar que “a guerra essencialmente terminou alguns dias depois que entramos”, embora o governo norte-americano registrasse centenas de soldados norte-americanos feridos em combate ativo. Ele insistiu na existência de conversas secretas, alegando que “eles estão negociando, aliás, e querem muito fazer um acordo”. Até hoje, as autoridades iranianas refutaram veementemente a existência de qualquer discussão. Trump justificou as declarações iranianas dizendo que “eles têm medo de admitir”.

Em 24 de março, Trump reiterou que o Irã queria um acordo “muito desesperadamente”, declaração que o porta-voz do parlamento iraniano classificou imediatamente como “fake news” e manipulação de mercado. No dia seguinte, Trump evitou usar o termo “guerra” em declarações oficiais para contornar a necessidade de aprovação formal do Congresso, afirmando que não queria chamar o conflito por esse nome. No dia seguinte, ele anunciou uma pausa nos ataques a usinas de energia, dizendo: “eles pediram sete [dias], e eu dei dez”, alegando generosidade em uma negociação que os iranianos declararam ser “consigo mesmo”.

No dia 26 de março, Trump declarou:

“Os negociadores iranianos são muito diferentes e ‘estranhos’. Eles estão nos ‘implorando’ para fazer um acordo, o que deveriam estar fazendo, já que foram militarmente aniquilados, com zero chance de recuperação, e ainda assim declaram publicamente que estão apenas ‘analisando nossa proposta’. ERRADO!!! É melhor que eles levem a sério logo, antes que seja tarde demais, porque uma vez que isso aconteça, NÃO HÁ VOLTA, e não será bonito!”.

Em 27 de março, Trump mudou novamente a justificativa central da guerra, focando exclusivamente no programa nuclear: “meu objetivo é impedir que o Irã consiga uma bomba nuclear”, ignorando as justificativas anteriores de “ameaça iminente”. Em 28 de março, ao ser questionado sobre o descumprimento de seus próprios prazos, ele minimizou a importância do tempo ao dizer: “no tempo do Trump, um dia é uma eternidade”. Por fim, ele encerrou o dia afirmando que os Estados Unidos estão “vencendo” o conflito, no exato momento em que o governo norte-americano anunciava o envio de milhares de tropas adicionais para reforçar as posições norte-americanas no Oriente Médio.

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