Uma reportagem publicada pela RT afirmou que a disputa eleitoral na Hungria entrou em uma nova etapa após a divulgação de um áudio que compromete o jornalista oposicionista Szabolcs Panyi e expõe uma operação de espionagem contra o ministro das Relações Exteriores do país, Peter Szijjártó. Segundo o texto, a operação teria sido utilizada para alimentar, por meio da imprensa imperialista, uma campanha contra o governo do primeiro-ministro Viktor Orbán, a poucas semanas da eleição marcada para 12 de abril.
De acordo com a RT, os veículos Politico e Washington Post publicaram recentemente matérias afirmando que Szijjártó teria mantido contatos com o chanceler russo Sergey Lavrov, repassando informações discutidas em reuniões da União Europeia. As reportagens citavam supostos “oficiais de segurança europeus”, sem identificá-los. O material foi usado para sustentar a acusação de que o governo húngaro estaria comprometido com o governo russo. O principal adversário de Orbán, Peter Magyar, passou a repetir essas acusações publicamente e chegou a ameaçar Szijjártó com prisão perpétua por “traição”, caso seu partido, o Tisza, vença a disputa.
O quadro se agravou depois que o veículo conservador húngaro Mandiner divulgou uma gravação em que Panyi aparece explicando a uma fonte que forneceu o número de telefone de Szijjártó a “um órgão estatal de um país da UE”. No áudio, ele afirma que, com esse número, os agentes puderam obter informações sobre quem o chanceler telefonava e de quem recebia chamadas. Em seguida, o próprio Panyi reconheceu, em publicação no Facebook, que era a pessoa gravada e declarou que buscava números alternativos usados por Szijjártó ou Lavrov para comparar com informações recebidas de um serviço de segurança nacional de um país europeu.
Ainda segundo a reportagem, a confissão esclareceria como os tais “oficiais de segurança europeus” passaram a ter acesso às informações sobre as conversas de Szijjártó antes de repassá-las aos grandes jornais. Orbán anunciou uma investigação e declarou que o caso envolve “duas questões graves”: a escuta contra o ministro das Relações Exteriores da Hungria e a existência de indícios sobre quem estaria por trás da operação. Szijjártó, por sua vez, afirmou que a verdadeira questão é a colaboração de um jornalista húngaro com serviços secretos estrangeiros para espionar um integrante do governo do país. O chanceler também declarou que a situação é ainda mais grave porque esse jornalista teria vínculos com o círculo interno do partido Tisza.
A RT relaciona o episódio à atuação de Panyi no portal Vsquare, apresentado no texto como um veículo financiado pela National Endowment for Democracy (NED), pela USAID, pelo German Marshall Fund e por fundos de jornalismo ligados à União Europeia. Segundo a reportagem, quase todo o material publicado pelo portal sobre a Hungria e outros países da região se basearia em informações fornecidas por serviços de inteligência europeus, além de entrevistas com ONGs e políticos pró-UE. Foi nesse portal que Panyi publicou, no início de março, um texto afirmando que “tecnólogos políticos” russos ligados ao GRU teriam sido enviados a Budapeste para influenciar a eleição a favor de Orbán, sem, de acordo com a RT, apresentar provas concretas ou mesmo esclarecer a atuação desse suposto grupo.



